AFTAS
O seu filho queixa-se que lhe dói a boca e ao observá-lo para determinar a causa, encontra algumas aftas na sua boquinha. Não hesite e consulte o pediatra para que este lhe indique o melhor tratamento.
O aparecimento de úlceras na boca (conhecidas como aftas) podem provocar bastante desconforto e dor às crianças. O seu aparecimento pode, inclusive, condicionar a sua alimentação. Por isso, é necessário consultar o pediatra para que, pelo menos, o desconforto seja atenuado.
As causas
As aftas não têm uma razão específica para aparecerem. Segundo os especialistas, podem ser o resultado de uma reação exagerada do sistema imunitário contra um elemento desconhecido. NO entanto, também são apontadas a anemia ferripriva (por falta de ferro) e a falta de vitamina B12 e ácido fólico como possíveis causas para o seu aparecimento. Outro factor também apontado é a existência de algum problema oral como um dente mais áspero. As aftas quando integradas numa síndroma febril podem ser de etiologia viral - Estomatite aftosa.
Sintomas e diagnóstico
Os sintomas das aftas são as aftas em si. Estas caracterizam-se por serem pequenas úlceras redondas ou ovais, coloridas (cinzentas ou amarelas, com as extremidades inflamadas) que causam dor e desconforto. Outros sintomas também identificados, podem ser a febre ligeira e o aumento dos gânglios linfáticos. Para que o pediatra as diagnostique basta fazer uma observação directa.
O tratamento
Se a infecção for mais grave, o pediatra poderá prescrever um antibiótico e algum medicamento para bochechar, caso a criança já consiga fazê-lo convenientemente sem o engolir. Para além disso é fundamental tratar a dor com um analgésico. A melhor forma de prevenir as aftas consiste em manter sempre um ambiente limpo e não deixar que o seu filho leva à boca objectos que possam estar sujos e contaminados por bactérias.
ALERGIA ALIMENTAR
Se o seu filho de repente se queixa de dores de barriga, tem vómitos e apresenta "babas" na pele, o melhor é dirigir-se a uma unidade médica ou pediatra. Provavelmente ele pode estar com uma alergia alimentar.
Sintomas
Entre os sintomais comuns, o seu filho pode também estar com diarreia e queixar-se de dores de cabeça. Geralmente a alergia elimentar é uma reacção adversa com uma resposta imunológica rápida. Assim, os sintomas podem apresentar-se poucos minutos ou poucas horas após a ingestão do alimento alergénico, podendo existir diferentes graus de gravidade. É comum estas alergias surgirem após a ingestão de alimentos contaminados ou alimentos como a mostarda, o pistacchio, o cajú ou amendoins, entre outros. A alergia alimentar pode acontecer ainda devido a uma combinação de alimentos.
Diagnóstico e terapêutica
O médico indagará quais os alimentos que a criança ingeriu durante as últimas 24 horas e avaliará os sintomas que a criança apresenta. Para diagnosticar o alimento alérgico pode ainda mandar realizar análises de sangue. A análise mais comum é o Prick-test. No entanto, a sua fiabilidade não é de 100%. Prescreverá uma dieta leve, semi-líquida e hipoalérgica. Aconselhará a ingestão de muitos líquidos. Pode também prescrever um medicamento anti-alérgico oral. No entanto os sintomas podem durar por alguns dias.
Conselho
Muito embora as alergias alimentares possam surgir com maior frequência durante a introdução de novos alimentos (6 meses a 24 meses), elas podem surgir em qualquer altura. Assim, esteja atenta aos sintomas e não descure uma visita ao pediatra. Sempre que desconfiar que tem uma alergia alimentar, faça uma visita a pediatra com o seu filho.
AMIGDALITE (ANGINAS)
Quando o seu filho se queixa de dor de garganta, tem febre e não quer comer porque diz que lhe dói ao engolir, poderá estar perante um quadro de amigdalite. Consulte o pediatra do seu filho para que este lhe prescreva o melhor tratamento.
Causas e sintomas
As causas da amigdalite podem ser provocadas por bactérias ou vírus. Por norma, a infecção é transmitida através da tosse e espirros de uma pessoa contagiada e as crianças, devido ao seu sistema imunitário mais imaturo, facilmente são contagiadas.
Os sintomas mais frequentes são: as amígdalas avermelhadas ou com pus; gânglios linfáticos inhados e sensíveis; febre; dificuldade para respirar e falar; vómitos; perda de apetite; dores abdominais; tumefacção da garganta; dor de ouvidos.
Diagnóstico e tratamento
O pediatra realizará um exame físico orientado e observará os sintomas para definir qual a causa da infecção e qual o melhor tratamento. Se a amigdalite for provocada por uma bactéria (frequentemente o estreptococo), o pediatra prescreverá um antibiótico pra tratar a infecção e prevenir o aparecimento de outro tipo de doenças como a febre reumática. Se a infecção é causada por um vírus, o pediatra não prescreverá qualquer antibiótico, já que não iria actuar sobre a infecção.
Se as amigdalites são recorrentes e os tratamentos muito seguidos, o pediatra pode aconselhar uma consulta de otorrinolaringologia. Neste caso, e embora mantenha os tratamentos a cada infecção, o otorrinolaringologista poderá optar, em último caso, pela extracção das amígdalas.
Não esqueça:
- Se o médico prescreveu um antibiótico, mesmo que o seu filho lhe pareça curado, dê-lho até acabar, evitando assim o risco de surgirem complicações como a febre reumática.
- Que o início da melhoria clínica muitas vezes só se começa a verificar às 48 horas após o início do tratamento.
- Respeite sempre os horários da medicação.
- Nunca fume ou deixe alguém fumar junto do seu filho.
ANOMALIAS TESTICULARES
Se durante o banho, na muda da fralda ou ao aplicar o creme no seu filho, se apercebe que o seu bebé não tem um dos testículos no sítio certo, não se assuste. Esta situação é, na maior parte dos casos, natural, em especial em crianças que nasceram prematuras ou com baixo peso. Marque uma consulta com o pediatra e esclareça as suas dúvidas.
O diagnóstico
O médico faz uma revisão aos órgãos genitais do bebé e avaliará a situação. Tenta localizar o testículo e poderá mandar realizar posteriormente alguns exames, pois são várias as causas que podem ter dado lugar a esta situação. Podem ser necessários vários exames clínicos e imagiológicos (ecografia) para ter a certeza de que o menino tem criptorquidismo (testículo escondido) e não tem um testículo retráctil. O testículo retráctil ocupa o escroto, mas pode temporariamente retornar ao canal inguinal. Geralmente esta situação não requer nenhum tratamento pois normalmente corrige-se espontaneamente antes da adolescência.
Como se corrige?
A maior parte das vezes o testículo migra espontaneamente para o escroto sem que seja necessário tratamento. Nos casos em que a descida não é espontânea, o médico pode prescrever um tratamento hormonal no qual a descida dos testículos será induzida, bem como a sua posterior fixação. Se posteriormente se verificar que este tratamento não resultou, o pediatra pode recorrer à cirurgia. Nsta segunda opção, o médico realizará uma laparoscopia, para localizar o testículo escondido e reconduzi-lo-á para o escroto.
Se ambos os testículos estiverem desaparecidos, o médico realizará a operação primeiro a um dos lados e, cerca de dois meses depois, ao outro. Lembre-se que através de qualquer um destes tratamentos é possível encontrar uma solução satisfatória para o problema, pelo que pode tranquilizar-se.
APENDICITE
Se o seu filho se queixa de uma dor na zona do umbigo ou na parte inferior direita do abdómen, vá com ele a uma unidade de sáúde, pois pode estar a sofrer uma apendicite. O apêndice é uma bolsa (pequena) do intestino grosso que tem uma função desconhecida. Quando este órgão fica infectado, inflama, pode ficar obstruído e sofre uma ruptura, originando uma caso de apendicite.
Sintomas
O principal sintoma é a dor que se estende da zona do umbigo até à zona inferior direita do abdómen. Esta dor é contínua e o simples acto de se mover, tossir ou caminhar pode agravá-la ainda mais. Em alguns casos, a apendicite pode ocasionar enjoo, vontade de vomitar e febre.
O diagnóstico
Para identificar a apendicite, o médico mandará realizar vários exames, após a palpação e a observação dos sintomas.
O tratamento
O tratamento da apendicite aguda é sempre cirúrgico, sendo uma urgência a sua realização, idealmente antes de se verificar a peritonite (ruptura do apêndice e do seu conteúdo infectado para o abdómen). Aos primeiros sintomas, desloque-se a um serviço de urgência, pois esta infecção pode levar à morte do doente, pelo que é necessário identificar os sintomas rapidamente, para que os médicos possam agir em conformidade com a situação.
APNEIA DO CHORO
O seu filho queria um determinado brinquedo e você recusou-lho, o que o levou a ter uma crise de choro. No entanto, no meio dessa crise de choro, ele parou de respirar, parecendo que estava a sufocar. Saiba o que deve fazer.
Aos dois anos as crianças pretendem descobrir tudo da mesma forma: tocando, mexendo, levando à boca... No entanto, quando você recusa dar-lhe alguma coisa que ele quer "conhecer" é normal que surjam uma birra e o choro. O grande problema é quando, no meio desse choro, a criança parece sufocar. A isso chama-se crise de perda de fôlego ou espasmo do choro. A criança começa a chorar, perde o fôlego e fica cianótica (roxa). Em alguns casos, a criança pode também ficar acinzentada ou inclusive, desmaiar.
O que acontece?
Quando acontece uma destas situações, o que se passa é que após uma crise de choro a criança sofre uma paragem repentina da respiração e fica roxa. Depois de recuperar o fôlego, a criança retoma a respiração, mas fica com o corpo mole enquanto retoma a respiração normal. Estas crises, embora habituais nas crianças entre os 6 meses e os 3 anos de idade, podem ter como causas dois factores:
- Uma forma de chamar a atenção para alguma coisa que não gostou
- Uma predisposição natural da criança para este problema.
O que fazer?
Se o seu filho tem uma destas crises, antes de mais, ajude-o a recuperar a respiração. Permaneça calma e faça-lhe uma pequena massagem no peitinho, para que o ritmo respiratório volte ao normal. Por fim, deixe a criança à vontade, sem alarme ou excesso de zelo, para que ela não comece a utilizar esta forma de chamar à atenção.
Tratamento
Depois, quando tudo estiver normalizado, consulte o pediatra para que ele possa descartar outros problemas subjacentes - transtornos cardíacos ou neurológicos. O principal nestas situações é manter-se calma para que a criança não utilize este "método" para ganhar a atenção dos pais.
Na maior parte dos casos, este é uma caso fisiológico que não apresenta quaisquer riscos para a criança e que irá desaparecer após os cinco anos de vida, quando acabar a "fase das birras".
ARTRITE INFECCIOSA
Se o seu filho não deu nenhuma queda e, sem qualquer causa aparente, de repente começa com queixas num joelho ou num cotovelo e este se apresenta quente e avermelhado, tenha atençã a outros sintomas pois pode estar a fazer uma artrite infecciosa. Se a criança lhe custa a mover a articulação e esta aparenta estar inchada (tem um edema), a criança tem febre e se queixa de arrepios, o melhor é levá-la de imediato a um serviço de saúde.
Diagnóstico
O médico avaliará a articulação e se necessário pode requisitar alguns exames para completar o diagnóstico. Geralmente a infecção é provocada por uma bactéria que está presente na circulação sanguínea e atingiu a articulação. O Hemophylus influenzae, os estafilococos e os bacilos gram-negativos são geralmente os causadores da artrite infecciosa nas crianças.
Tratamento
O médico prescreverá um tratamento com antibióticos, independentemente da confirmação do agente causador, que deve ser por via endovenosa. Poderá ainda prescrever um antipirético (paracetamol) e um medicamento adequado para alívio das dores. Se após os resultados dos exames laboratoriais o médico assim o entender, determinará uma outra medicação, havendo a possibilidade e de acordo com a gravidade clínica, de se efectuar uma drenagem do pus da articulação em causa. O tratamento, em geral, aliviará as dores e o edema passadas 48 horas. Durante este período é natural que a criança apresente queixas e tenha dificuldades nos movimentos da articulação. O tratamento é regra geral prolongado (2 a 3 semanas).
ASMA
Se o seu filho começar de repente com respiração sibilante, tosse e falta de ar, se ao expirar os ruídos respiratórios forem muito perceptíveis, pode estar a ter um ataque de asma. A criança pode ainda queixar-se de falta de ar ou uma opressãp no peito. O ataque pode desaparecer em poucos minutos ou durar algumas horas. Geralmente a criança pode ter tido anteriormente ataques de tosse seca, muito especialmente durante o período nocturno. Se suspeita e que o seu filho pode ter asma, vá com ele a um serviço de urgência.
Diagnóstico
O médico apoiar-se-á nos sintomas que você descreve. Para confirmar o diagnóstico de asma pode mandar realizar análises ao sangue e testes cutâneos para identificar os alergénios responsáveis pela crise de asma. Poderá ainda efectuar uma prova de espirometria que só poderá ser efectuada por crianças mais crescidas (maiores de 6 anos). Se durante a primeira prova as vias aéreas não aparecem estreitadas, com uma segunda prova a criança inalará broncoconstritores em aerossol. Se as vias aéreas se estreitarem após a inalação, confirma-se o diagnóstico de asma. Através do espirómetro o médico avaliará ainda a dimensão da obstrução das vias aéreas para supervisar o tratamento.
Os sintomas: dificuldade em balbuciar devido ao esforço para respirar; respiração sibilante e ofegante; sonolência; pede de cor azulada (cianose); tosse seca.
Tratamento
O médico poderá prescrever um broncodilatador, de acordo com os sintomas e gravidade da situação asmática da criança. No entanto, se ele souber quais os factores desencadeantes, poderá recomendar a sua toma, antes da situação, como profilático. Se, por exemplo, a criança sofre um ataque após um exercício físico ou um esforço violento. Os broncodilatadores actuam geralmente após poucos minutos, no entanto, os seus efeitos duram geralmente de 4 a 6 horas. Existem também broncodilatadores de acção prolongada (acção 12 horas) que se usam como profiláticos. A terapêutica com anti-inflamatórios ou com corticóides também é muito útil na crise.
BACTERIEMIA OCULTA
Se o seu filho está com febre alta (38ºC ou mais) e parece prostrado. Se já lhe deu o paracetamol que o médico lhe prescreveu anteriormente para situações febris, a febre continua sem causa aparente e a criança não apresenta outras queixas: sintomas respiratórios, vómitos, diarreia, por exemplo. Também não apresenta sinais de constipação, o melhor é dirigir-se a uma serviço de saúde.
Nas crianças até aos 2 anos são comuns algumas situações de infecção provocadas pela bactéria Streptococcus pneumonia ou outras, cujo único sintoma é a febre.
Diagnóstico/Tratamento
O médico solicitará informações sobre os sintomas que a criança apresentou nas últimas 48 horas. Necessitará também de saber o que comeu, se teve alguma alteração na urina ou nas fezes e ainda se deu alguma queda. Observará a criança e se tudo parecer normal, poderá requisitar análises ao sangue. Uma contagem de glóbulos brancos e uma hemocultura apresentarão a presença de bactérias no sangue. Esta situação exige um tratamento antibiótico por via endovenosa, pois pode levar a uma infecção grave, como a sepsis ou meningite.
A bacteriemia oculta é a presença de bactérias no fluxo sanguíneo, embora não haja sinal de infecção em nenhuma outra parte do corpo e a criança não pareça particularmente doente.
Conselho
A vacinação atempada permite que o seu filho crie imunidade à maior parte das doenças.
BRONQUIOLITE
Se o seu filho apresenta alguns sinais de constipação como corrimento nasal, tosse, dores de garganta ou febre, contacte o pediatra, para que este verifique se se trata somente de uma leve constipação ou se é alguma coisa mais grave.
Esta infecção das vias respiratórias menores (os bronquíolos) é provocada por um vírus chamado Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e provoca dificuldade respiratória. Embora possa também afectar os adultos, são especialmente as crianças com menos de 12 meses que têm mais probabilidades de serem contagiadas.
O contágio
O vírus sincicial respiratório espalha-se pelo ar, quer através da tosse, quer através dos espirros das pessoas contagiadas. Outra forma de contágio consiste no contacto com objectos utilizados pela pessoa infectada.
Os principais sintomas
Para além da tosse, dor de garganta, febre, corrimento nasal e dificuldade respiratória são: as narinas poderão estar mais abertas que o usual; lábios e unhas com uma cor mais pálida; respiração sibilante ou pieira; falta de apetite.
O diagnóstico e o tratamento
O diagnóstico deverá ser feito sempre pelo pediatra do seu filho, pois ninguém melhor que ele para prescrever o tratamento adequado. Quando se fala em tratar uma bronquiolite, deverá ter-se em conta que:
- O apoio emocional à criança é extremamente necessário, pelo que deve permanecer sempre a seu lado, pois quanto mais calmo for o ambiente, mais tranquilidade se transmite à criança.
- A criança poderá necessitar de Cinesioterapia respiratória para drenar melhor as secreções, mantendo as vias respiratórias mais abertas.
- A utilização de broncodilatadores permitirá dilatar as vias respiratórias de forma a facilitar a respiração (aerossolterapia).
- A administração de oxigénio húmido poderá ajudar a melhorar a respiração enquanto a criança não se recompõe.
- Poderá ser necessário prescrever um medicamento para a febre, já que a temperatura corporal nunca deve ultrapassar os 38ºC. Se a temperatura ultrapassar os 40ºC deve deslocar-se ao hospital para observação, assim como se houver um agravamento da dificuldade respiratória com a terapêutica já instituída.
CÃIBRAS DO CALOR
O seu filho queixa-se de uma dor súbita acompanhada da sensação do músculo (habitualmente o gémeo - barriga da perna) preso e rijo.
Durante as férias, e em especial se está na praia, é normal que o seu filho passe a maior parte do tempo a correr de um lado para o outro numa alegre brincadeira. E como é impossível você andar atrás dele com o chapéu-de-sol para o manter à sombra, a exposição solar é maior. Neste quadro, também é natural que por vezes, o organismo da criança se ressinta devido à perda de água e sal provocando as chamadas cãibras do calor.
As causas e os sintomas
As cãibras de calor acontecem principalmente devido à perda de demasiada água e sal do organismo, sendo que os músculos perdem a sua hidratação. Desta forma, o organismo aumenta de temperatura e surgem desequilíbrios que provocam as cãibras. Quando uma criança sofre este desequilíbrio e a cãibra a afecta, a criança queixa-se de uma dor súbita acompanhada da sensação do músculo (habitualmente o gémeo - barriga da perna) preso e rijo.
O que deve fazer
Comece por lhe proporcionar algum alívio:
- Alongue o músculo que se encontra preso (com cuidado) com pequenas massagens.
- Aplique gelo na zona dorida.
- Depois de se certificar que a cãibra já passou, mova a criança para um lugar mais fresco e arejado, não permitindo que se exponha ao Sol.
- Não se esqueça de a hidratar, oferecendo-lhe água ou uma bebida que na sua composição tenha sal.
- Se a criança continuar a queixar-se, vá ao Serviço de Saúde mais próximo.
Os cuidados
Para que o seu filho não sofra de uma situação deste tipo, o melhor será prevenir. Assim: ofereça-lhe água ou uma bebida isotónica, especialmente quando a temperatura é elevada; evite a exposição nas horas de maior calor (ente as 11h e as 16h); evite que a criança se esforce (correndo, saltando...) durante o período mais quente; utilize sempre um protector solar, com um índice de protecção solar específico para a pele do seu filho; vista-lhe sempre roupa clara e ensine-o a andar sempre de chapéu.
As cãibras do calor podem acontecer não só às crianças, como também aos adultos, aos idosos e aos desportistas. Assim, e embora a dor passe em pouco tempo, deve ter em atenção, pois pode haver uma recaída ou até mesmo uma lesão do músculo afectado, pelo que o melhor é permanecer algum tempo em descanso.
CANSAÇO
O seu filho está sempre cansado? Tenha atenção aos sintomas. A fadiga permanente é um alerta para ir com o seu filho a uma consulta e existem alguns sintomas que deve observar atentamente: não quer brincar e deita-se no sofá mal chega do infantário; não quer ver televisão e perdeu o interesse pelos seus desenhos animados favoritos; quer ir para a cama antes da hora; tem os olhos sonolentos; anda lentamente e deixou de correr e saltar pela casa; emagrece; não tem apetite; tem uma cor macilenta; não quer ir ao jardim.
Muito embora quase todas as doenças de origem viral ou bacteriana tenham como sintoma comum a fadiga, se o seu filho não tem nenhuma destas doenças (gripe, infecções respiratórias altas, varicela, hepatite, diarreia...), não é muito natural que apresente permanentemente sinais de cansaço. Mais ainda se o cansaço e a sua prostração vai evoluindo dia a dia.
Há no entanto outras doenças de origem endócrina ou sanguínea cujo principal sintoma é a fadiga generalizada e progressiva. Das doenças de origem endócrina, podemos destacar por exemplo a diabetes, das de origem sanguínea podemos destacar a anemia. Também existem doenças de origem metabólica, como a doença celíaca, que apresenta alguns destes sintomas.
Sintomas
Uma visita ao pediatra é imprescindível neste caso. Para melhor informação não se esqueça de apontar:
- Quando começou a apresentar sinais de cansaço.
- Foi depois de alguma doença?
- Outros sintomas associados.
- Deixou de se alimentar bem?
- Não gosta do infantário?
- Tem tido pesadelos?
- Quantas horas de sono tem por dia.
CIEIRO
Se o seu filho apresenta a zona em volta da boca muito vermelha e a escamar, estará certamente com cieiro. Consulte o pediatra para que ele prescreva o melhor tratamento e a ajude a prevenir o problema futuramente.
As crianças babam-se muito, especialmente quando estão com os dentinhos a nascer. E essa baba, que se vai acumulando, acaba por manter a zona em volta da boca sempre bastante húmida. Quando está frio e entra em contacto com essa zona húmida, seca a pele e desidrata-a.
Os principais sintomas são:
- A pele dos lábios gretada e seca, por vezes, com comichão.
- O queixo vermelho e por vezes a escamar, se o seu filho coçar ou esfregar pode ferir.
- A zona das asas do nariz também pode ser afectada, apresentando-se com irritação, especialmente se estiver constipado.
O tratamento
A melhor forma de tratar o cieiro consiste em manter a zona hidratada com um creme gordo (boca e queixo, especialmente) e, se o leva à rua, deve protegê-lo com um batom infantil contra o cieiro. Para tal, poderá utilizar um dos produtos existentes no mercado nacional de puericutura, específicos para este tipo de problema dermatológico. Possivelmente o pediatra recomendará a utilização de algum batom de glicerina, um óleo, etc.
O cieiro é um transtorno habitual do Inverno e deve ser prevenido para evitar o incómodo. Utilize sempre no seu filho o batom ou o óleo que o pediatra receitou como prevenção.
CISTITE
Se a sua filha tem uma vontade constante de fazer chichi e chora cada vez que vai à casa de banho, pode estar com uma cistite. A cistite é uma infecção urinária da bexiga, geralmente provocada por bactérias, mas também pode ter como causa os vírus.`
É mais comum nas meninas dada a localização dos seus órgãos genitais externos e à sua uretra ser mais curta que a dos meninos. Asim, se suspeita que a sua filha está com uma infecção urinária, leve-a ao pediatra.
Sintomas: vontade constante de urinar e às pinguinhas; pontadas no baixo ventre; dor ao urinar.
Diagnóstico
O médico avaliará a situação através dos sintomas e mandará de imediato fazer análises (sangue e urina). Se se confirmar a cistite, o médico prescreverá a medicação que julgar mais adequada e recomendará a ingestão de muitos líquidos. Recomendará ainda uma dieta leve. Depois, acompanhará a evolução do tratamento e recomendar-lhe-á para não interromper o tratamento mesmo que a sua filha já não apresente queixas. Este tipo de infecções pode durar algum tempo a debelar e se há interrupção do tratamento poderá brevemente reincidir.
Recomendações
Para que se evite uma infecção urinária, todo o cuidado é pouco. A higiene é imprescindível. Após a retirada da fralda, deve fazer uma higiene muito cuidada. Se a criança já vai à casa de banho, não deve permitir que se sente em casas de banho públicas pois são um foco de contágio. Em casa, deve ensiná-la a limpar-se convenientemente, ou fazê-lo por ela até que aprenda a fazê-lo sozinha.
CÓLICAS DO RECÉM-NASCIDO (Aerocolia ou Aerofagia)
Se o seu filho começa a chorar ao fim da tarde (entre as seis e as dez da noite), provavelmente está com dores abdominais provocadas por aerofagia (as "famosas" cólicas). E embora se sinta preocupada, o melhor será manter a calma e ajudá-lo, fazendo-lhe algumas massagens . De qualquer forma, consulte o pediatra do seu filho.
As causas
Na maior parte dos casos, os médicos desconhecem as causas das cólicas, sendo que se apontam como causas mais prováveis o excesso ou diminuição da alimentação, a ingestão de ar ou até mesmo uma técnica pouco apropriada de alimentação. De todos os estudos realizados, retiraram-se também algumas conclusões - os primeiros filhos e em especial os meninos, têm mais hipóteses de sofrer de cólicas do que s outras crianças.
Os sintomas
Como é evidente, o primeiro sinal é o choro. No entanto, convém certificar-se de que o seu bebé está a chorar por causa das cólicas. Quando as crises de cólicas acontecem ao entardecer, é possível que sejam devidas a falta de alimento, já que - e está provado - as mulheres produzem menos leite neste período. Como tal, o problema pode ser fome, e não cólicas.
O tratamento
Para evitar que o seu bebé tenha cólicas - tarefa muito difícil, por o seu sistema digestivo ser ainda imaturo - o médico poderá recomendar-lhe algumas estratégias:
- Quando lhe der de mamar, certifique-se de que a sua boca "apanha" toda a auréola.
- Coloque a boca da criança à mesma altura do mamilo.
- Entre as tomas, ajude o bebé a arrotar.
- Mova as pernas do bebé - deitado de costas - como se este estivesse a andar de bicicleta.
- Dê-lhe um banho morno para o ajudar a relaxar e libertar, mais facilmente, os gases retidos
no intestino.
- Massage-lhe as costas e a barriguinha de forma suave. Realize movimentos circulares.
- Tente que bebé faça cocó várias vezes por dia.
O pediatra poderá ainda recomendar a toma de algum medicamento caso a situação se torne muito importante e dolorosa.
CONJUNTIVITE NEONATAL
Se verificar que durante o primeiro mês (geralmente na segunda ou terceira semanas) os olhitos do bebé se encontram muito inflamados ou estão a supurar pus, não hesite e vá de imediato ao pediatra.
Sintomas
O bebé tem uma infecção nas conjuntivas e na parte visível do olho. A infecção pode afectar apenas um olho ou ambos Os olhos podem só apresentar inflamação sem supuração.
Diagnóstico
O pediatra após observar o bebé, pode retirar uma pequena partícula de pus, a fim de mandar realizar um exame bacteriológico para detectar o agente infeccioso mediante o cultivo ou ainda por observação directa ao microscópio. A conjuntivite pode ter como causa diversos agentes, como a Clamydia. Habitualmente desenvolve-se nas duas semanas posteriores ao nascimento. Se a conjuntivite for causada por outras bactérias pode começar mais tarde e pode não produzir pus. Pode também não ser de origem infecciosa mas química ou irritiativa.
Tratamento
O pediatra poderá receitar uma pomada oftálmica com antibiótico, para além da lavagem dos olhos com soro fisiológico. No entanto, dado que uma grande percentagem das crianças afectadas com uma conjuntivite por Clamydia apresentar uma infecção noutra parte do organismo, o pediatra poderá prescrever a eritromicina por via oral. Se a conjuntivite for causada pelo vírus do herpes simples, o pediatra poderá tratá-la com gotas ou pomada. A conjuntivite neonatal é geralmente contraída durante o parto. No entanto, os seus sintomas costumam apenas apresentar-se após a primeira semana.
Os olhos do seu filho são um bem precioso, pelo que ao menor sinal de infecção não pode "esperar que passe". Vá de imediato a uma consulta pediátrica.
CONJUNTIVITE
Se o seu bebé ao acordar parece ter os olhitos colados ou a lacrimejar, não espere e marque uma consulta com o pediatra. Entretanto e para aliviar o bebé, deve imediatamente lavar-lhe os olhos com uma gaze (nunca utilize algodão pois pode deixar filamentos) ensopada em soro fisiológico ou água tépida desde que a tenha fervido primeiro). A limpeza deve ser feita do ângulo externo do olho para o ângulo interno num só movimento, eliminando depois a compressa.
A conjuntivite é uma doença muito frequente nos bebés. É contagiosa e quando surge deve de imediato ser avaliada pelo médico. Deve-se à inflamação da conjuntiva, a membrana que rodeia a córnea.
Os sintomas: vermelhidão do olho; lacrimejar intenso; secreção que pode ser aquosa, mucosa ou purulenta; pestanas coladas entre si; picadas
O diagnóstico e o tratamento
O médico facilmente avalia a doença e prescreve gotas oftalmológicas (um colírio antibiótico) e uma adequada higiene com uma gaze embebida em água fervida morna para eliminar as secreções. Na consulta o médico dará os conselhos adequados à mãe para a colocação das gotas de forma correcta.
- Colocar as gotas no ângulo ocular interno.
- Com o polegar e o indicador, abrir levemente as pálpebras do olho do bebé para permitir que entre o medicamento.
A prevenção ao contágio
O contágio é feito de pessoa a pessoa pelas gotículas eliminadas ao tossir ou ao espirrar, através das mãos ou das toalhas. O tempo de incubação normalmente oscila entre os dois e os sete dias após a exposição.
Medidas preventivas
- Lave correctamente as mãos antes de tocar no seu bebé.
- Não deixe que outras pessoas toquem no bebé se não tiverem as mãos limpas.
- Evite que a criança esteja em contacto com pessoas doentes.
CONVULSÕES FEBRIS
Por vezes, as crianças (entre os seis meses e os seis anos) quando apresentam um quadro de febre alta, podem ter convulsões febris, situação que a poderá assustar muito. No entanto, saiba que estas convulsões são, na maior parte dos casos, comuns e não deixam sequelas.
Sintomas e diagnóstico
Embora a convulsão em si (movimentos bruscos repetidos dos braços e pernas) seja um sintoma fácil de observar, existem outros que poderão estar-lhe associados: corpo rígido; olhos girando rapidamente nas órbitas; pode ocorrer um episódio de vómitos; a criança fica confusa e sonolenta após a convulsão.
Após uma crise de convulsões, o diagnóstico médico deverá ser feito no hospital, já que poderão ser necessários meios complementares de diagnóstico para detectar as causas.
O que deve e não deve fazer
Se o seu filho apresenta um cenário de convulsões, não se assuste com a ideia de que o bebé possa estar a sofrer algo grave. No entanto, mantenha a calma.
O que deve fazer:
- Deite a cabeça de lado com a cabeça num plano ligeiramente mais baixo do que o corpo.
- Não esbofeteie a criança , nem a abane, nem lhe dê nada para ingerir.
- Desaperte a roupa que a criança tem vestida.
- Não impeça os movimentos da criança. Deverá, no entanto, mantê-la segura.
- Contacte sempre o pediatra do seu filho.
- Chame a emergência médica (112) caso a criança não respire ou se a convulsão demorar mais de 5 minutos.
O tratamento
Na maior parte dos casos a criança não irá necessitar de medicação contra as convulsões. Por isso, a melhor forma de prevenir estes episódios consiste em manter sempre a temperatura corporal normal. Poderá utilizar paracetamol para baixar a temperatura, mas sempre em consonância com o pediatra do seu filho.
Embora sejam um pouco assustadores, estes episódios não costumam deixar sequelas e a criança recupera normalmente. Converse com o seu pediatra sobre estas situações, de modo a actuar com maior calma numa próxima crise, dado que uma criança que teve um primeiro episódio mais facilmente terá outro novamente. Não se esqueça que há uma certa tendência familiar nestas situações.
CORPO ESTRANHO NO NARIZ OU NOS OUVIDOS
Se suspeita que o seu filho introduziu algum objecto no nariz ou no ouvido, não tente retirá-lo e vá imediatamente a um serviço de urgências.
De entre os vários objectos que as crianças "frequentemente" introduzem nos ouvidos ou narinas, destacam-se: feijões, peças de brinquedos, berlindes, ervilhas, etc. Objectos pequenos que facilmente entram nesses canais.
Sintomas
No caso da introdução de um objecto nos ouvidos, podem surgir infecções do ouvido externo (otites), corrimento e dificuldades ao nível da audição. Normalmente a criança esconde que introduziu um objecto porque tem medo da reacção dos pais. No caso da introdução de um objecto no nariz, pode surgir corrimento que se vai tornando amarelado e com mau odor, inchaço e vermelhidão nas narinas.
Tratamento
Primeiras regras a ter SEMPRE em conta: NUNCA tente extrair o objecto, sob risco de o introduzir ainda mais no canal afectado. A melhor forma de tratar estes percalços é consultar de imediato o pediatra do seu filho ou um otorrinolaringologista. Se o seu filho introduziu um objecto estranho no ouvido, o otorrinolaringologista realizará uma otoscopia. No caso do nariz, o otorrinolaringologista realizará uma rinoscopia anterior, que consiste em observar as fossas nasais, dilatando-as e iluminando-as. Se o objecto estranho estiver mais atrás sendo difícil a sua extracção, poderá ser necessário realizar uma endoscopia nasal. Embora na maior parte dos casos estes problemas não apresentem quaisquer riscos, o melhor será solicitar sempre informações ao pediatra do seu filho ou a um otorrinolaringologista, para debelar qualquer infecção posterior, para além de ter de retirar o objecto.
CORPO ESTRANHO NA VISTA
Se o seu filho ao brincar sofreu alguma agressão na vista, a entrada de um grão de areia, uma formiga ou até uma partícula estranha, é naural que chore e que esfregue a vista na tentativa de fazer passar a impressão.
Na maior parte dos casos, as partículas que entram na vista da criança são:
- Areia: Se está a brincar num lugar que tenha areia, poderá levar as mãos à cara e, como as têm sujas, entrar um grãozinho.
- Pó: Quando está muito vento circulam no ar imensas poeiras. Se a criança não está protegida com óculos, qualquer uma dessas partículas poderá afectá-la.
- Plasticina: Pode acontecer que ao brincar, um pouco deste material lhe entre no olho.
- Pinturas: Atenção que alguns destes produtos podem ser tóxicos, pelo que não deve dá-los à criança. Um salpico de tinta (aguarela, guache) pode fazer-lhe uma agressão na vista.
- Pêlos dos animais domésticos: Se tiver um animal doméstico, é possível que um pêlo lhe entre para a vista.
Como ajudar
Quando o seu filho sofre uma agressão na vista, deverá tentar limpar a face e a vista da criança com água corrente. Se ainda assim não conseguir, deixe-a chorar um pouco, pois nada melhor do que o líquido natural para limpar a vista. Não o deixe esfregar a zona afectada, já que poderá magoar o olho e provocar um maior dano. Leve o seu filho ao médico pois será ele o único que poderá avaliar a agressão.
Tratamento
Quando o médico o observar, irá limpar a vista da criança e retirar a partícula estranha que causou a agressão. Caso a impureza que causou a agressão tenha afectado o globo ocular, o médico prescreverá a aplicação de um anibiótico tópico e sempre que necessário procederá à aplicação de uma pala protectora para que o seu filho não tenha possibilidade de esfregar a vista. Nos casos mais graves ou dolorosos deve ser observado por um oftalmologista.
COTOVELO DESLOCADO (Pronação dolorosa)
Se o seu filho caiu e bateu com o cotovelo ou se lhe puxou rapidamente por um braço... se queixa de uma dor no braço, não consegue movê-lo e chora de cada vez que você lhe toca, e a criança se recusa a utilizar o braço que está magoado, consule o pediatra pois o seu filho pode ter um cotovelo deslocado.
Como acontece
O cotovelo deslocado é um problema muito frequente em crianças com menos de 4 anos e acontece quando o tecido mole do cotovelo desliza da extremidade do osso para a articulação do cotovelo e ocorre uma luxação/deslocamento do cotovelo.
O que deve fazer
O melhor será deslocar-se ao Centro de Saúde da sua área de residência ou ao hospital mais próximo. No hospital poderão efectuar uma radiografia se houver dúvidas do dignóstico. O pediatra caso ache conveniente irá endireitar o cotovelo do seu filho. Moverá lentamente o braço e o cotovelo para soltar o tecido que está preso e os ossos recolocar-se-ão no lugar. Embora este procedimento seja bastante doloroso, o seu filho deixará de sentir dores quase de imediato.
Depois do hospital
Se é habitual o seu filho deslocar o cotovelo, pode ser necessário aplicar gesso para não permitir que ele mova o braço. Durante o período em que está engessado, não deve tentar dobrar nem empurrar o gesso nem deixar que se molhe.
CRUPE
Se o seu filho acordou de noite várias vezes com dificuldade em respirar, especialmente inspirar, em tosse e está rouco, pode não ser uma simples constipaçã, muito embora os sintomas sejam idênticos. Assim, vá com a criança ao pediatra.
Um dos sintomas que mais se evidencia no crupe é a dificuldade que sente ao inspirar. O crupe é uma infecção provocada geralmente pelo vírus para influenza.
Diagnóstico
O pediatra diagnosticará o crupe pelos seus sintomas. Assim, questionará sobre a existência de:
- No início, sintomas semelhantes aos da constipação.
- Inflamação nas membranas de revestimento das vias respiratórias superiores.
- Dificuldade ao inspirar.
- Tosse forte.
- Rouquidão.
- Respiração acelerada e profunda.
- Piora à noite, melhora durante o dia, volta a piorar à noite.
- Febre.
Tratamento
O pediatra poderá recomendar uma atmosfera húmida para reduzir a secura das vias respiratórias superiores e facilitar, assim, a respiração da criança. Recomendará a ingestão de muitos líquidos e repouso. O pediatra poderá ainda prescrever um antipirético e anti-inflamatório mais ou menos potente. Raramente existe a necessidade de se prescrever um antibiótico. O tratamento durará o tempo da doença, habitualmente 5-6 dias. O crupe transmite-se através do contágio no ar que se respira ou pelo contacto com objectos infectados, e assim o pediatra recomendará que a criança não entre em contacto com outras crianças (irmãos ou colegas de infantário), a fim de evitar o contágio.
DERMATITE ATÓPICA
Se ao dar banho ao seu bebé verificar que ele tem lesões vermelhas, por vezes exudativas e com crosta, não hesite, fale com o pediatra. Estas lesões podem surgir em qualquer parte do corpo e muito especialmente na zona da fralda, na cabeça ou até no rosto. Estas lesões provocam geralmente imensa comichão. Muito embora a dermatite atópica surja maioritariamente em crianças mais crescidas, pode também aparecer em idades muito precoces. Esta situação embora não alarmante necessita sempre de tratamento pediátrico.
Diagnóstico
O pediatra observará a criança e perante a inflamação questionará sobre os antecedentes familiares da criança (familiares com dermatite ou alergias), mudanças de alimentação, alergias, tipo de roupa que esteve em contacto com a criança (lãs, fibras...), animais de estimação. Dado que não existe nenhum exame ou análise que confirme a dermatite atópica, o médico poderá ter que observar a criança numa consulta posterior para avaliar a evolução da doença e assim confirmar definitivamente o diagnóstico, dado que, à primeira vista, a dermatite atópica pode confundir-se com a dermatite seborreica. Esta, por sua vez, necessita de um tratamento diferenciado.
Tratamento
Muito embora não exista cura pois é uma doença crónica, a dermatite pode surgir mais tarde e sempre que a criança esteja em contacto com os elementos desencadeantes (lãs, excesso de humidade e calor, alimentos...) O pediatra recomendará evitar o contacto com as substâncias alergizantes conhecidas, prevenindo assim o aparecimento dos sintomas. Além disso, e perante uma crise, o médico prescreverá um creme ou pomada para aplicar nas zonas lesadas, a fim de limitar o prurido e que a criança se coce e arranhe, fazendo alastrar as lesões. O pediatra pode também prescrever um anti-histamínico. O pediatra recomendará ainda que após o banho verifique se o seu bebé apresentou mais queixas. Se assim for, poderá recomendar que evite o banho diário, assim como algumas cautelas na hora de limpar o bebé. A pele do bebé deverá ser seca cuidadosamente sem esfregar. Depois do banho, o médico pode recomendar a hidratação da pele com um creme apropriado.
Conselho
Corte as unhas ao seu bebé para evitar que ao coçar-se possa danificar a pele. Reduzirá também as probabilidades de infecção.
DERMATITE DA FRALDA
Se ao mudar a fralda ao seu bebé verificar que tem o "rabinho assado", especialmente durante o primeiro mês, não se alarme. De um momento para o outro o seu filho pode surpreendê-la com o rabinho muito vermelho. A este problema a que vulgarmente se chama de "rabinho assado", pode o médico chamar dermatite da fralda. Nem sempre há necessidade de consultar o pediatra desde que o eritema seja ligeiro. Por isso, antes de ir ao médico verifique bem a zona lesada.
Se o eritema for superficial, não apresenta bolhas ou borbulhas e o rabinho apresenta-se apenas muito vermelho na zona da fralda. A zona avermelhada geralmente não atinge as pregas da coxa nem os órgãos genitais ou o tecido à volta do ânus.
Se o eritema não for superficial deve consultar o pediatra. Para que o médico possa fazer um diagnóstico mais rápido e prescrever o melhor tratamento, não se esqueça de lhe prestar alguns esclarecimentos.
Informe o pediatra:
- Quando notou o eritema.
- Qual o seu aspecto inicial.
- Se usa fraldas descartáveis, se mudou de marca de fralda.
- Se usa fraldas de pano, se mudou o detergente com que lava a roupa.
- Mudou de marca de sabonete com que lhe dá banho.
- Mudou de marca de creme de protecção (levar o nome deste creme).
- Mudou de marca de toalhitas.
- Mudou a esponja com que lhe lava o rabinho.
- O eritema apareceu depois de alguma mudança de leite (fórmula).
- O eritema surgiu após a toma de algum medicamento.
- Se o bebé é amamentado, a dieta da mãe teve alguma alteração brusca.
- Como se apresentam as fezes (consistentes, moles, aguadas, com muito mau cheiro, qual a cor).
- Qual o número de fraldas que utiliza diariamente.
Conselhos úteis
Nunca coloque uma fralda limpa sem anteriormente lavar o rabinho do bebé e secar muio bem toda a zona. Em cada muda de fralda utilize um creme protector rico em óxido de zinco. A higiene e a manutenção do rabinho seco são fundamentais para o sucesso terapêutico. Sempre que esteja fora de casa, utilize para a sua higiene toalhitas descartáveis.
DIARREIA INFECCIOSA
Se o seu bebé começou a expulsar fezes líquidas e estas vêm raiadas de sangue e com muco, não espere. Vá de imediato ao Centro de Saúde mais próximo ou consulte o pediatra do seu filho. O seu bebé pode estar a desenvolver um transtorno denominado diarreia infecciosa. Esta alteração, quando não detectada precocemente pode ter graves consequências.
Os sintomas mais comuns são: expulsão frequente de fezes líquidas - diarreia; vómitos; sangue e muco nas fezes; febre; desidratação, manifestada por boca seca, olhos encovados e fontanela deprimida.
Diagnóstico e tratamento
O médico avaliará o estado do bebé e como primeira medida, em virtude da desidratação que o bebé sofreu por causa da diarreia e dos vómitos irá subsituír o líquido e os electrólitos perdidos (hidratação), inicialmente de forma oral. Em casos graves, o médico mandará fazer a reposição de líquidos por via endovenosa no hospital.
Se o bebé é amamentado, o médico recomendará que a amamentação continue para que o bebé não fique desnutrido. Se o bebé é alimentado com leite adaptado, o médico indicará um leite preparado sem lactose.
Em geral, mesmo nos casos mais graves o médico não prescreverá qualquer antibiótico e a diarreia desaparecerá sem tratamento com a dieta anti-diarreica. O médico poderá ainda requerer uma análise bacteriológica à matéria fecal, a fim de descobrir o elemento causador.
Conselhos
É comum que o bebé contraia esta doença, na creche, quando em contacto com objectos contaminados (biberões, chupetas) ou crianças doentes. Para evitar este tipo de situações esterilize diariamente as chupetas e os biberões e não toque ou deixe tocar no seu bebé sem antecipadamente ter lavado as mãos.
DIARREIAS
As crianças com menos de cinco anos têm frequentemente diarreias. Este problema costuma ter uma duração de três a sete dias, sendo que o vírus (denominado rotavírus) acaba por ser eliminado através das fezes, ao fim de sete a dez dias. Se o seu filho apresentar os sintomas que abaixo indicamos, marque uma consulta com o seu pediatra.
Sintomas: se se queixa de dores abdominais; se está irritado e abatido; se a temperatura é elevada; se vomita; se tem diarreia há mais de 24 horas.
Os riscos
Quando uma criança tem diarreia, o principal risco é a desidratação. A diarreia provoca ao seu filho a perda de líquidos e também de nutrientes como o potássio, o cloro e o sódio. Para que tal não aconteça, será necessário, desde logo, iniciar um tratamento caseiro e consultar o pediatra.
Antes do tratamento pediátrico poderá dar-lhe chá preto frio com um pouco de açúcar ou água fervida de hora a hora; sopa de arroz e cenoura.
Não se esqueça de apontar:
- O que o seu filho comeu nas 12 horas que antecederam o primeiro episódio de diarreia.
- Se os alimentos que comeu foram unicamente consumidos por ele ou pelos restantes familiares.
- Caso tenha comido um alimento pela primeira vez, indique-o.
- Gráfico de evolução das temperaturas.
- Frequência dos episódios de diarreia.
- Frequência dos episódios de vómito.
Os conselhos do pediatra
Normalmente, o pediatra aconselha a que dê de comer ao seu filho, uma hora depois do episódio de vómito e evita que se altere em muito a pauta alimentar da criança. No entanto, poderá recomendar alguns alimentos que têm a função de "prender" o intestino, como: banana; cenoura; batata; arroz. Pode prescrever-lhe um medicamento antidiarreico se necessário.
DOENÇA CELÍACA
Se de repente o seu filho começou a fazer deposições com uma consistência (pastosa e gordurosa) diferente da consistência habitual e com cheiro fétido é melhor estar atenta. Se verificar que a situação se mantém, marque uma consulta com o pediatra.
Com a introdução dos novos alimentos a partir dos 4-6 meses, e mesmo que você dê ao seu filho papinhas sem glúten, é provável que ele tenha comido algum alimento que em virtude de conter glúten possa ter provocado esses sintomas no seu filho caso ele seja celíaco. Os celíacos caracterizam-se por uma sensibilidade intestinal à gliadina presente em algun cereais como: o trigo, o centeio, a cevada e a aveia.
Assim, os sintomas mais comuns são:
- Barriga distendida.
- Emagrecimento ou não aumento de peso.
- Fezes com cheiro fétido com consistência pastosa e gordurosa. As fezes podem ser em quantidade exagerada e com uma coloração esbranquiçada.
- Diarreia.
Diagnóstico
Após observação dos sintomas e palpação, o pediatra mandará realizar análises ao sangue e às fezes. Sempre que necessário requisitará uma biopsia ao tecido intestinal.
Tratamento
Para controlar a doença, o pediatra indicará uma dieta totalmente isenta de glúten. Assim, rapidamente a criança retomará o seu crescimento normal. O médico indicará aos pais as opções de alimentação, visto que um celíaco o será para toda a vida. A doença celíaca é incurável, mas qualquer criança será um adulto saudável caso siga correctamente a dieta.
DOENÇA DE LYME
A doença de Lyme é uma doença causada pela picada de carraça que funciona como vector do agente infeccioso. Este problema surge, na maior parte dos casos, em zonas onde o mato e a erva alta são abundantes e é mais frequente nos meses da Primavera e do Verão. Causada por uma bactéria (Borrelia burgdorferi), esta doença tem, por vezes, manifestações ténues e tardias, pelo que é muitas vezes imperceptível. No entanto, as suas consequências podem ser muito graves e relacionadas com problemas cardíacos e neurológicos.
Se após um fim de semana ou umas férias no campo o seu filho tem febre alta, dores de cabeça, dores articulares, manchas no corpo e membros, sente rigidez na nuca, aumento dos gânglios linfáticos e eritemas, leve-o ao hospital. Estes sintomas podem ser sinal de ter sido picado por uma carraça.
O diagnóstico
A sua detecção é feita através de análises sanguíneas. Nestas, procuram-se sinais de anticorpos específicos. No entanto, alguns dos resultados poderão ser difíceis de analisar, já que esta doença poderá ser confundida com outras como a sífilis, a mononucleose infecciosa e as doenças reumáticas. Quando não detectada a tempo, poderão surgir problemas a nível neurológico, ao nível das articulações e transtornos cardíacos.
O tratamento
Para aliviar os sintomas, os médicos costumam prescrever antipiréticos e analgésicos, para a febre e para as dores, respectivamente. No combate à doença em si, existem alguns antibióticos adequados.
Se costuma deslocar-se para regiões onde existem as condições propícias ao aparecimento de carraças, lembre-se de não deixar o seu filho passear em zonas de mato e ervas altas. A doença transmite-se, somente passadas algumas horas, pelo que se verificar que a criança foi picada, desloque-se de imediato ao hospital mais próximo e se verificar que o seu filho ainda tem a carraça, não tente retirá-la. O médico tratará de a retirar de maneira conveniente.
DOENÇA DE SEVER
Muito embora não seja muito comum, depois de uns pulos ou de uma actividade mais violenta, o seu filho pode começar a queixar-se de dores no calcanhar. Se essas dores forem especialmente nos bordos do calcanhar, esteja atenta. Se a dor não tiver passado após 24 horas, dirija-se a um serviço de saúde.
Diagnóstico
O médico palpará o calcanhar da criança e verificará como se encontra a cartilagem. Nesta idade e geralmente até aos 8 ou 10 anos, o osso do calcanhar (calcâneo) apresenta-se dividido em duas partes unidas por uma cartilagem. Esta cartilagem só mais tarde se consolidará. No caso de actividade mais violenta, a cartilagem pode ter sofrido um rompimento, provocando dores, tumefacção no calcanhar e calor. Pode também apresentar-se com uma coloração avermelhada. O médico não requisitará radiografias, a não ser que desconfie de fractura no osso.
O tratamento
A doença de Sever é caracterizda por uma lesão da cartilagem e assim o médico prescreverá um medicamento para alívio da dor e nos primeiros dias, algum repouso. Para facilitar a cura, o médico poderá recomendar a utilização de uma pequena almofada para colocar no sapato, a fim de reduzir a pressão sobre o osso. Se a criança é muito inquieta e a lesão for grande, o médico poderá mandar engessar o pé.
ECZEMA
Se nas bochechas do seu bebé ou no pescoço aparece uma borbulhagem áspera e avermelhada que o deixa desesperado e o faz levar as mãos ao rosto para se coçar, vá com ele ao pediatra, pois pode estar com eczema.
Os sintomas: aparecimento de erupção compacta de uma cor vermelho escuro; a erupção localiza-se geralmente nas bochechas, no pescoço, na testa ou atrás das orelhas; a zona fica áspera; a pele pode formar escamas.
Diagnóstico
O pediatra confirmará o eczema por observação Como a causa do eczema pode ter várias origens, o pediatra tratará de indagar o desencadeante que o causou. As causas podem ser de origem genética, alimentar ou alérgica. Se a causa é alérgica, o pediatra recomendará que a criança não esteja em contacto com tecidos de nylon, fibra ou lã. Inclusivamente, poderá mandar substituir o gel e o sabonete do banho até confirmar o agente que produz a alteração.
O tratamento
O médico prescreverá uma loção ou pomada para aplicar nas lesões. No entanto, se a alteração persistir, poderá ser necessário alterar a alimentação do bebé. O acompanhamento clínico é essencial até à cura. Esta doença pode ter períodos de agravamento seguidos de outros de ausência completa de sintomas. Geralmente, o eczema acaba por desaparecer totalmente com a entrada na puberdade.
EPIGLOTITE AGUDA
Se se aperceber de que o seu filho está com dificuldades em respirar, fazendo-o como se estivesse a "comer o ar" (com o tronco inclinado para a frente, o pescoço esticado, a boca aberta e a língua ligeiramente para fora), com inspirações curtas e com uma expressão de sofrimento, chame de imediato o 112 ou desloque-se o mais depressa possível para um hospital.
A epiglotite aguda é uma infecção provocada pelo vírus Haemophilus Influenzae, que afecta a área em volta da traqueia, especialmente a epiglote (a cartilagem que evita que os alimentos e as bebidas entrem na traqueia quando engolimos). Quando é infectada, a área de passagem de ar fica muito reduzida, tornando a respiração muito difícil. Esta situação pode ser muito grave, podendo levar à morte. É uma doença mais frequente até aos 5 anos de idade.
Os principais sintomas
Para além dos sintomas descritos anteriormente, a criança poderá apresentar sinais de agitação; dor de garganta; pele dos lábios azulada; garganta inflamada; febre alta; dificuldade respiratória ou angústia respiratória.
Como a dificuldade para respirar vai piorando, a respiração vai-se tornando cada vez mais ruidosa e aumenta a frequência respiratória. Para além disso, poderá aperceber-se de que a pele entre as costelas da criança parece ser aspirada de cada vez que ela respira (tiragem intercostal).
O tratamento
Enquanto não vem ajuda médica especializada (INEM) ou não chega ao hospital, mantenha-se calma, pois a respiração da criança poderá piorar se chorar ou tiver medo. Perante este quadro clínico, a equipa médica das urgências decidirá pelo melhor tratamento. Se necessário, a criança poderá ser entubada ou, se o quadro for grave, os médicos poderão decidir realizar uma traqueotomia provisória (colocação de um tubo directamente na traqueia). Sendo uma doença bacteriana, também é necessário administrar um antibiótico endovenoso.
A epiglotite é uma infecção grave que necessita cuidados médicos precoces, pois a sua evolução é, normalmente, rápida e fatal. No entanto, com a introdução da vacina anti-Haemophilus Influenzae no plano nacional de vacinação, o número de casos da doença em vindo a diminuir drasticamente.
ERITEMA INFECCIOSO (quinta doença)
O seu filho tem andado com sintomas de uma pequena constipação, febrícula, abatido e aparece com erupções nas maçãs do rosto, tronco e extremidades e essas erupções caracterizam-se por manchas de cor vermelha e bem definidas. Não espere, vá com o seu filho ao médico.
Diagnóstico
O médico, através da observação do seu filho, analisará as características da erupção. Se considerar necessário, mandará realizar uma análise ao sangue para detectar a presença no sangue de anti corpos contra o parvovirus.
Tratamento
Não existe um tratamento específico para esta doença, nem se podem tratar os vírus com um tratamento com antibióticos. Assim, o pediatra recomendará repouso, geralmente paracetamol para baixar a temperatura e um medicamento para aliviar o prurido. Muito embora esta doença seja contagiosa, mesmo que a criança tenha irmãos, o médico não recomendará o afastamento da criança, visto o contágio só se efectuar antes de ter surgido a erupção.
O que deve saber
A quinta doença, também conhecida como eritema infeccioso ou infecção, a parvovirus, é uma doença eruptiva infecto-contagiosa causada por um vírus denominado parvovirus B19. É frequente em crianças com menos de 6 anos, muito embora raramente também apareça em adultos. O contágio faz-se de pessoa a pessoa por contacto com a saliva ou com secreções nasais. É habitual que surja quando a criança frequenta o infantário e partilha os brinquedos, o copo ou o prato com uma criança infectada.
ESCALDÕES
Depois de uns dias de férias na praia, se ao dar banho ao seu filho notar que tem alguma bolha na pele provocada pelo Sol, vá a um serviço de saúde e não tente tratar o seu filho em casa.
A pele das crianças é muito mais sensível que a dos adultos e se o deixou a brincar à beira-mar, mesmo que com o tempo enevoado, o seu filho pode ter feito um escaldão. Na maior parte dos casos, se a criança andou ao Sol, bem protegida com um protector solar adequado, sofre apenas de uma queimadura de 1º grau.
Sendo os sintomas mais comuns: eritema, edema, calor. Em alguns casos a criança poderá ficar prostrada ou ter febre. No entanto, quando a queimadura é muito extensa, também é necessária a observação médica.
Diagnóstico e tratamento
O médico observará criteriosamente a extensão e o grau da queimadura e procederá de acordo com a sua gravidade. No tratamento da queimadura solar do 1º grau provavelmente recomendará a aplicação de compressas frias e poderá prescrever paracetamol para alívio das dores, bem como um regenerador da pele. Se a queimadura, embora do 1º grau for extensa, ou for uma queimadura do 2º grau, pode ser necessário tratamento geral. O médico procederá à perfuração das bolhas na sua base para as esvaziar por aspiração com uma agulha grossa. Seguidamente poderá proceder à aplicação de gaze gorda para alívio da dor. O médico recomendará ainda que a criança, até ao seu completo restabelecimento, não sofra qualquer exposição solar, mesmo que mínima.
Conselho
A acção nociva do Sol depende da radiação ultravioleta. Não leve o seu filho para a praia ou para o campo, durante as horas de maior radiação (das 11 às 17 horas). Proteja o seu filho com uma t-shirt de manga curta (não de alças), chapéu e um protector solar adequado com protecção máxima apropriado a criança.
ESFOLADELAS
O seu filho está a brincar e, de repente... "pumba!" Dá uma queda e chega choroso junto de si com um joelho ou uma mão magoados. Embora estas pequenas contusões não sejam motivo para preocupações, convém certificar-se de que não existem outras consequências. Se notar alguma alteração acentuada no lugar da contusão, consulte um médico de imediato, pois, para além do ferimento, pode ter estalado ou quebrado algum osso. Na maior parte dos casos, não representam quaisquer riscos para a saúde do seu filho, já que são superficiais e pequenas. No entanto, se a esfoladela infectar, o melhor será o médico observá-la para se certificar de que a infecção é correctamente tratada e daí não surjam quaisquer riscos como por exemplo, o tétano ou uma infecção mais grave.
Causas e sintomas
A grande maioria dos casos de esfoladelas acontece quando a criança cai sobre uma superfície dura e rugosa e raspa a pele sobre a mesma superfície. Consoante a profundidade, tamanho e localização da esfoladela, poderá ser necessário ir a um hospital. O principal sintoma de uma esfoladela é o ardor do local. A ferida apresenta contornos irregulares, fica suja e a pele, raspada e avermelhada.
Conselho
As esfoladelas, por mais simples que sejam, merecem sempre a sua atenção, para que não se transformem numa infecção mais perigosa.
Como primeiros socorros e de imediato:
- Limpe o ferimento com água corrente e retire quaisquer detritos que nele tenham ficado.
- Desinfecte com uma substância asséptica.
- Proteja com uma gaze gorda ou com um penso rápido
Depois deste tratamento, deverá manter a ferida e o penso sempre limpos e secos para evitar infecções. Se a esfoladela provocar um hematoma, poderá aplicar-lhe gelo ou elevar a zona ferida acima do nível do coração. Desta forma aliviará o inchaço.
Convém consultar o pediatra do seu filho saco verifique que a ferida não sara por si própria ou que existe uma infecção, pois poderá ser necessário tomar um antibiótico ou a vacina contra o tétano, se a criança não estiver imunizada.
ESTRABISMO
O estrabismo é por vezes difícil de detectar em idades muito precoces, porque até aos 6-8 meses ele pode ser simplesmente fisiológico, por outro lado a criança não tem consciência sobre a sua dificiência visual; no entanto, se você está atenta ao seu filho, pode notar pequenos sinais que a poderão levar a suspeitar de que algo não vai bem com a sua visão.
Os bebés pequeninos podem sofrer frequentemente de estrabismo, porque todos os seus sistemas estão ainda imaturos. No entanto, em breve se consolidarão e o bebé passa a ter uma visão normal. Se a situação não se altera, o seu filho pode sofrer de estrabismo que deve ser tratado o mais rapidamente possível para que não venha a sofrer de uma redução permanente das suas capacidades visuais.
Como detectar
Geralmente as crianças que sofrem de estrabismo têm alguma dificuldade em focar os objectos, assim contraem fortemente o olho afectado para que lhes permita uma visão mais clara. É habitual verificar que quando a criança tenta fixar uma imagem feche um dos olhos e assim evite uma visão dupla e distorcida. Se o seu filho quando está concentrado, por exemplo a desfolhar um livro de imagens ou a ver os desenhos animados na televisão, piscar muitas vezes os olhos, não hesite e fale já com o seu pediatra. Ele, através de um exame simples, verificará se será ou não necessário, enviá-lo a uma consulta de oftalmologia.
Os testes
O pediatra, através de um simples teste (cobre um dos olhos da criança e mostra-lhe um objecto bem colorido e atractivo) pode verificar os sinais de estrabismo. Em caso positivo ser-lhe-á indicada a realização de uma consulta ao ofalmologista.
Tratamento
O tratamento baseia-se normalmente na utilização de óculos que corrijam a focagem, sendo em muitos casos necessário o tratamento cirúrgico.
FEBRE REUMÁTICA
Se o seu filho esteve há uns meses com uma inflamação na garganta que levou algum tempo a curar e agora se queixa de dores nas articulações, ora dor num joelho, ora dor num cotovelo, ou até num tornozelo e se, além disto, tem febre, não hesite, vá com ele ao médico. Estes sintomas podem querer dizer que ele está com febre reumática.
Os principais sintomas são: dores articulares (artrite); febre; dor no peito ou palpitações; erupção; nódulos na pele. Muito embora os sintomas não se apresentem todos inicialmente, as dores articulares e a febre são os mais frequentes. A criança pode queixar-se de uma dor forte num joelho, que em seguida melhora para de novo se queixar de outra dor, por exemplo no ombro. Ao mesmo tempo a articulação pode ficar avermelhada e apresentar-se quente.
Diagnóstico
O médico avaliará os sintomas e fará o pedido de análises de sangue. Se a criança apresentar arritmia cardíaca, o médico pedirá um electrocardiograma e, se necessário, um ecocardiograma para confirmar qualquer dano a nível do coração.
Tratamento
Se confirmada a febre reumática, o médico prescreverá um anti-inflamatório para reduzir a inflamação e a dor. Iniciará também um tratamento com antibiótico (geralmente penicilina). Recomendará ainda que o seu filho repouse para diminuir a tensão das articulações afectadas. As dores e a febre são geralmente debeladas em 15 a 20 dias. No entanto, se a criança teve febre reumática, o médico recomendar-lhe-á um acompanhamento periódico.
FIMOSE
Se o seu filho tem o prepúcio a cobrir completamente a glande, sendo impossível a sua retracção e mostrando muita sensibilidade nessa zona, poderá ter um problema chamado fimose.
Como acontece
A fimose acontece quando o prepúcio (prega de pele que cobre a extremidade do pénis) não pode ser retraído, provocando a prisão da glande. Este problema acontece especialmente no meninos que não tenham sido circuncisados. Na maior parte dos casos a criança consegue urinar perfeitamente e o pediatra poderá não recomendar de imediato qualquer intervenção. Em alguns casos, quando a abertura é extremamente pequena, a criança poderá presentar alguns problemas na hora de urinar.
O que deve fazer de imediato
Se suspeita que o seu filho sofre de fimose, fale imediatamente com o seu pediatra. Ele indicar-lhe-á as normas a seguir. Nunca esqueça que deverá extremar a higiene do bebé nesta zona, e JAMAIS deverá tentar retraía o prepúcio do seu menino, já que corre o risco de o magoar e tornar a situação ainda mais complexa.
A evolução
Embora já tenha havido quem defendesse a tese de que a mãe poderia limpar a parte interior do prepúcio do bebé na hora do banho, hoje em dia, a maior parte dos especialistas aconselha a que a mãe não o faça. Desta forma, evitam-se possíveis lesões nesta zona que é extremamente sensível. Quando há alguma infecção, o pediatra frequentemente prescreve um antibiótico para a debelar. Se a abertura for demasiado estreita, o pediatra pode ainda optar pela circuncisão, de forma a prevenir possíveis infecções futuras.
FOBIA ESCOLAR
Está na hora de ir para a escola e já não é a primeira vez que o seu filho diz estar com dor de cabeça e dor de barriga, mostra-se nervoso e não quer levantar-se da cama. Se esta situação acontece por sistema, consulte o pediatra porque ele poderá sofrer de um problema denominado fobia escolar.
Embora este problema costume surgir especialmente na fase em que a criança entra para o ensino básico, há crianças que também o apresentam mais cedo, quando têm de ir para o infantário. E se esta perturbação não for tratada de forma precoce, poderá inclusive levar ao aparecimento de patologias psiquiátricas mais graves.
Os sintomas
Quando estes medos não são tratados, a criança começa a apresentar alguns sintomas que permitem identificar o problema. Destacam-se a diarreia, dores corporais, suores, ataques de medo, aumento dos batimentos cardíacos, tristeza, tremores e tonturas.
As causas
Na maior parte dos casos, as crianças têm dificuldades em adquirir novas rotinas ou a fugir das rotinas habituais. De entre elas, podem destacar-se a mudança de casa, o nascimento de outro irmão, uma doença... Mas existem outros factores que levam ao aparecimento desta fobia: ansiedade dos pais no momento da separação; medo de ir para a escola por causa do professor ou dos colegas; ansiedade sentida pela criança ao separar-se dos pais.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico desta perturbação costuma ser clínico e faz-se através da observação dos sintomas que a criança apresenta. Para tratar a sintomatologia da fobia escolar, pode ser necessário recorrer a psicoterapia ou apoio psicológico. A falta de tratamento poderá levar a situações mais complicadas que vão desde a depressão reactiva ao insucesso escolar, à ansiedade crónica ou ao isolamento social, pelo que, quanto mais cedo a criança iniciar as terapias específicas para o seu caso, mais rapidamente poderá recuperar e reiniciar a sua vida social normal.
FRACTURAS EXPOSTAS
As crianças são muito irrequietas e de um momento para o outro o seu filho pode aparecer junto de si a chorar desesperadamente com um bracinho no ar. Partir um braço é comum nesta idade.
Caso suspeite que o seu filho fracturou um braço verifique: se tem incapacidade ou dificuldade para mover o braço; dor anormal; braço em posição anormal; pode ainda verificar um desvio no osso, na parte afectada (caso das fracturas expostas); no caso de uma fractura exposta, pode apresentar ainda algum ferimento.
Tratamento
O tratamento de um membro partido poderá implicar a aplicação de uma tala ou de um molde de gesso, que impeça a movimentação da zona atingida. Caso a fractura seja grave, poderá ser necessário recorrer à cirurgia, embora na maior parte dos casos, isso não seja necessário. Por fim, siga todas as instruções do médico de forma rígida, pois só assim o tratamento será mais rápido e eficaz.
O que fazer?
O que deve fazer primeiro é imobilizar a zona, para que não haja deslocamento das lesões evitando maiores danos. Depois deverá verificar que tipo de fractura a criança tem. Existem fracturas de dois tipos: expostas e fechadas.
No caso das fracturas expostas deverá sempre: tapar o ferimento com uma gaze estéril e fixar o curativo para que não haja hipótese de saltar; evitar que a criança se levante e faça uma tala em volta da zona quebrada; depois de imobilizar a parte partida e exposta, desloque-se ao hospital mais próximo. Se não tiver hipótese de o fazer, chame de imediato o 112 (serviço de emergência médica).
Se a factura for fechada, deverá: imobilizar o membro quebrado com a utilização de uma tala; seguir de imediato para o hospital mais próximo ou chamar o 112.
Não esqueça
Nas crianças as fracturas costumam solidificar mais depressa do que nos adultos, pelo que poderá demorar menos do que o tempo habitual de cura (entre 4 e 6 semanas). Nas crianças com menos de um ano as fracturas não são comuns, podendo o problema ficar a dever-se a problemas de ossos, pelo que deve colocar todas as suas dúvidas ao pediatra do seu filho.
FRACTURA ROTULIANA
Se o seu filho deu uma queda da bicicleta ou simplesmente caiu e bateu com força com o joelho no chão, ficou a queixar-se dessa zona que agora se apresenta inchada, dificultando a sua mobilidade Consulte o médico, pois o seu filho pode ter feito uma fractura da rótula. Estas fracturas, embora possa ser graves, na maior parte dos casos, não demoram muito a curar.
Sintomas
Quando o seu filho fractura a rótula, para além dos sintomas já referidos como o inchaço e a dificuldade de mobilidade do joelho, pode ainda apresentar fraqueza, deslocamento da rótula, dormência ou "formigueiro", coxeio, incapacidade de pousar o pé no chão, sangramento se houver lesão na pele.
Diagnóstico e tratamento
Para diagnosticar a fractura da rótula, o médico de serviço de urgência a que se deslocou, recorrem normalmente a uma radiografia do joelho do seu filho. Caso se confirme que o seu filho partiu a rótula, o médico poderá recorrer a um dos seguintes métodos para evitar que a criança movimente a rótula - uso de gesso, uso de uma tala ou utilização de um imobilizador do joelho. Caso a fractura seja grave, poderá ainda recorrer a uma cirurgia para reconstruir ou recolocar o osso na posição correcta.
Outros cuidados
Como o seu filho está em crescimento, é possível que a fractura não demore muito a sarar e possa retirar o método usado para evitar a mobilidade do joelho. No entanto, também será necessário que o médico preste especial atenção, pois, em alguns casos esas fracturas podem condicionar o crescimento do osso da criança.
GAGUEZ
A gaguez afecta uma percentagem elevada das crianças entre os 2 e os 5 anos de idade, aquando da aprendizagem da linguagem. Se o seu filho começar a gaguejar, não espere por amanhã, fale com o seu pediatra ou médico de família, pois ele certamente encaminhá-la-á para um terapeuta da fala caso ache necessário. No entanto na maioria dos casos é transitória.
Os sintomas
Uma criança pode considerar-se gaga quando apresenta alguns dos seguintes sintomas:
- Repetição de sílabas, sons, palavra ou grupos de palavras
- Subida brusca de tom durante uma frase
- Movimentos associados à dificuldade da fala (caretas, inclinação de cabeça, encolher de ombros)
- Tremores
- Ansiedade
- Vergonha e tensão de falar em público.
Estes conselhos serão válidos mesmo que a criança venha a ser acompanhada por um terapeuta da fala. A gaguez é um processo complexo e o apoio da família é muito importante.
Diagnóstico e tratamento
O pediatra avaliará o grau de gaguez e verificará se é transitória ou evolutiva. Consoante a sua observação e do grau de transtorno o médico recomendará uma terapia. Nos casos mais graves, o médico recomendará o conselho de um terapeuta da fala. Nos casos em que o médico considere que a gaguez é transitória e não evolutiva, fará algumas recomendações aos pais. Entre elas, destacamos:
- Evitar corrigir a criança cada vez que gagueja
- Rir-se da criança e das suas dificuldades
- Dar-lhe todo o tempo de que necessite para terminar a frase
- Não a fazer repetir as frases
- Fomentar a comunicação
- Reconhecer as suas dificuldades sem mostrar espanto ou desagrado
- Quando os pais virem necessidade de corrigir a criança, que o façam de forma correcta
- Estimularem-na com teatrinhos e histórias.
GÂNGLIOS LINFÁTICOS
Se ao mudar a fralda ao seu filho, quando está a colocar o creme protector verificar que o bebé tem na virilha um alto, semelhante a uma ervilha, na próxima consulta ao pediatra comente-o com ele e mostre-lho para despistar a hipótese de qualquer hérnia. Geralmente estes pequenos altos são gânglios linfáticos. Os gânglios linfáticos são órgãos do sistema imunitário cuja função é defender o organismo de qualquer substância estranha (vírus ou bactérias). Estão localizados em diferentes partes do corpo e se apresentam aumento do volume, dor, vermelhidão, podem indiciar inflamações ou infecções na ára satélite a essa localização.
O que fazer
Primeiro que tudo, não se alarme porque nas crianças pequenas o aumento dos gânglios linfáticos é muito comum, sendo mais evidente que nas crianças mais velhas ou que nos adultos, dado que o sistema imunitário é ainda imaturo e não desenvolveu defesas específicas para cada tipo de agente patogénico. Assim, o seu sistema actua ao primeiro sinal, o que não vai acontecer mais tarde, pois a sua bagagem de anticorpos será muito maior. A maioria dos casos só exige vigilância da evolução clínica. Assim, vá ao pediara com a criança.
Diagnóstico
O pediatra após palpação avaliará:
- A temperatura corporal
- As características do gânglio: tamanho, sinais inflamatórios, consistência...
- Se existe alguma infecção satélite
- Se o bebé apresenta mal-estar geral ou prostração
- O tamanho do gânglio, para verificar se não é uma hérnia (pressionando o gânglio, ele geralmente permanece no mesmo sítio, enquanto que a hérnia desaparece quando se pressiona com o dedo)
- Se os indicadores observados não esclarecerem o médico, poderá mandar realizar análises ao sangue.
GENGIVAS INFLAMADAS
Se o seu filho tem as gengivas avermelhadas e grossas, é provável que venha a caminho mais um dentinho. Tente observar outros sinais para perceber se se trata de um dente ou se, porventura, terá uma infecção.
Sintomas
Quando está para nascer um dentinho, as gengivas ficam com um tom avermelhado ou arroxeado e ficam grossas. Para além disso, o bebé mostra sinais de irritação e passa o tempo todo a levar a mão à boca, mordendo-a. Poderá não querer comer e irá chorar mais do que o habitual. Poderá ainda estar com febre e prostrado.
Como ajudá-lo?
A melhor opção é oferecer-lhe um daqueles mordedores que se podem colocar no frigorífico, já que o frio alivia o incómodo. Outra hipótese é pegá-lo ao colo e distraí-lo com um brinquedo, uma canção ou uma história. Muitas vezes, a distracção leva a que o bebé se esqueça, por uns momentos, da "dor".
Levá-lo ao médico?
Aquando do nascimento de um dente, não é obrigatório levar o seu bebé ao pediatra. No entanto, se o bebé se mostra muito queixoso, com febr, falta de apetite, leve-o ao pediatra, para que ele tente encontrar a melhor forma de o aliviar. O pediatra poderá prescrever algum creme calmante para as gengivas. Caso suspeite de algum problema mais grave, o pediatra poderá aconselhar a visita a um dentista ou a um odontopediatra.
GIARDÍASE
Embora não seja muito comum, a giardíase pode afectar as crianças quando frequentam, sem que haja o cuidado necessário, os sanitários públicos. Os sintomas desta doença podem inicialmente confundir-se com os de uma gastroenterite. Assim, é sempre bom, perante qualquer suspeita, consultar o pediatra.
Diagnóstico
O médico, perante os sintomas e para confirmar a doença mandará realizar análises laboratoriais. Se a doença se confirmar, as análises revelarão a presença do Giardia lamblia (um parasita que provoca a infecção no intestino delgado) nas fezes.
Os sintomas mais frequentes são: náuseas; flatulência (excesso de gazes); eructações (arrotos); dores abdominais; fezes volumosas e de cheiro pestilento.
Tratamento:
O médico prescreverá o medicamento mais adequado (geralmente um antibiótico). Mandará repetir as análises passado o tratamento para verificar se já não existem quistos nas fezes. O Giardia lamblia transmite-se através de quistos que se eliminam pelas fezes, se não existirem os cuidados e higiene necessárias. Os familiares da criança afectada deverão também consultar os serviços de saúde para efectuar análises.
GOLPE NA BOCA
Se o seu filho caiu e bateu com um dente, vá sempre a um dentista pediátrico com ele. Muito embora seja um dentinho de leite, ele ocupa um local especial e a sua falta pode vir a prejudicar a formação da sua dentição. Nesta idade são muito naturais as quedas e muitas vezes a falta de agilidade das crianças não evita que batam com a boca.
Se o seu filho bateu com a boca verifique:
- Se algum dos dentinhos se partiu
- Se partiu apenas um pedaço (neste caso deve procurar o pedaço em falta)
- Se fez alguma fissura (se estalou), embora que ligeira
- Se com a queda o dente sofreu uma maior introdução na gengiva
- Se o dente ficou solto e quase pendurado pela raiz
Embora aparentemente o seu filho possa não apresentar nenhum dos sintomas anteriores, será sempre conveniente levá-lo a uma consulta porque podem existir fissuras não detectáveis a "olho nu" e que mais tarde podem dar origem a que o dente se parta. Também a queda pode ter afectado as raízes e só o dentista poderá detectá-lo através de uma radiografia. Se o dente se partiu e você recuperou o pedaço, leve-o ao médico, pois ele poderá servir para reconstruir o dente.
Após uma queda e quando o seu filho tiver batido com a boca, lave-lhe a boca com água fria em que deitou umas gotas de um desinfectante oral apropriado para crianças.
GOLPE NO PÉ
Está a passear com o seu filho na praia e de repente "Ai! mamã...cortei-me...". Sob a areia aparece a tampa de uma lata ou uma conchinha mais afiada, que parecia esperar pelo pezinho do seu filho, para o magoar. E se bem que na maior parte dos casos, estes golpes não apresentem sequelas quando são tratados de imediato, poderão causar, para além da dor, alguma infecção. Mantenha a calma e trate o ferimento.
Como agir?
Ao sofrer um golpe no pé, em especial se este acontece na praia ou quando o seu filho anda descalço no jardim, a ferida poderá ficar infectada. Assim, comece por lavar a zona ferida enxaguando o pé da criança com água corrente (não use água do mar). Habitualmente, ficam grãozinhos de areia incrustados na zona do golpe. Para limpar efectivamente a zona, convém utilizar uma compressa esterilizada para eliminar todos os bocadinhos de areia que tenham ficado presos na ferida. Posteriormente, tente estancar a hemorragia, com uma gaze ou um pano limpo. Caso a ferida não pare de sangrar, desloque-se ao hospital mais próximo para que o seu filho seja observado por um médico. Por fim, e embora as feridas cicatrizem mais facilmente ao ar livre, o melhor será proteger o golpe no pezinho do seu filho, com um penso rápido ou uma ligadura, para que não entre areia novamente na ferida.
Um golpe profundo
Se o golpe é mais profundo, leve o seu filho ao hospital, pois poderá ser necessário suturar a ferida. Neste caso, realize os mesmos primeiros socorros e depois leve-o ao Serviço de Urgências Médicas. Leve consigo o boletim de vacinação. O médico também pedir para o ver para verificar se tem a Vacina do Tétano em dia.
HEMATÚRIA
Se está a mudar a fralda e se apercebe que o seu filho tem sangue na urina, consulte de imediato o pediatra, já que poderá significar que o seu filho tem um infecção urinária.
As causas
As causas para o aparecimento de hematúria (presença de sangue na urina) podem ser variadas, sendo que na maior parte dos casos se trata de uma infecção num dos órgãos do aparelho urinário (infecção urinária).
O tracto urinário é constituído por vários órgãos e canais como:
- Os rins - órgãos responsáveis pela filtragem do sangue e eliminação dos produtos não desejados do mesmo
- Os ureteres - canais de ligação dos rins à bexiga
- A bexiga - órgão que armazena a urina até ao momento da sua expulsão
- A uretra - canal por onde passa a urina aquando da sua expulsão para o exterior do organismo
As causas podem ainda dever-se a:
- Algum medicamento que a criança esteja a tomar
- Um traumatismo nas costas (rins)
- Um traumatismo na região do baixo abdómen (bexiga)
- Litíase renal ("pedra" no rim)
- Uma doença renal mais grave (hereditária ou adquirida)
Os sintomas
O principal sintoma é, como é evidente, o aparecimento de sangue na urina, que se poderá apresentar com uma cor rosácea, avermelhada ou até mesmo castanha. Poderá ainda provocar dores nas costas o no abdómen.
Diagnóstico e tratamento
Para realizar um diagnóstico efectivo o pediatra poderá prescrever análises à urina e ao sangue, ou ainda realizar uma ecografia aos rins e à bexiga. Para o pediatra poder prescrever o tratamento, terá de saber a causa da hematúria, sendo que o tratamento está condicionado aos resultados dos exames.
Caso o seu filho apresente algum sinal de sofrer de hematúria, contacte o pediatra de imediato. Não se esqueça de comentar com o médico, qualquer contusão, queda ou traumatismo que, embora pareçam não ter gravidade, possam ter lesionado o seu filho.
HEMORRAGIA NASAL (Epistáxis)
Se o seu filho sofre uma hemorragia nasal, convém perceber porque esta acontece. Normalmente, as causas podem ser locais (como uma lesão por traumatismo ou infecção). No entanto, também podem ser sistémicas, ou seja, devido a alguma doença. Se aparentemente não existe uma razão para a hemorragia, consulte o pediatra.
As causas
O seu filho pode sangrar do nariz por:
- Razões sistémicas - como a pressão arterial elevada, doenças renais ou hepáticas. Problemas de coagulação.
- Razões locais - como um traumatismo na região nasal devido a uma pancada, por colocar um objecto estranho no nariz, etc.
Sinais e sintomas
A principal característica de uma hemorragia nasal é o sangue vermelho vivo que sai pela(s) narina(s). No entanto, poderá ainda encontrar outros sinais, caso a hemorragia seja interna e o sangue também escorra pela garganta. Caso a criança esteja a perder muito sangue, pode apresentar os seguintes sintomas: palidez; tonturas; suores frios; fezes escurecidas alguns dias após a hemorragia.
Se as hemorragias forem muito constantes, poderá haver perdas importantes de sangue. Neste caso, e mesmo que seja habitual o seu filho ter hemorragias, por exemplo, por pôr o dedo no nariz, fale com o pediatra, pois a criança pode vir a sofrer de anemia, sendo necessária a realização de exames para identificar a sua origem.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da hemorragia nasal é feito através da simples observação e o tratamento poderá variar, consoante a duração da hemorragia. Quando inicia a primeira hemorragia, deverá:
- Sentar a criança com a cabeça flectida para trás.
- Comprimir as narinas por dez minutos sem ceder.
- Dar gelo à criança para que o chupe.
Se a hemorragia nasal persisir, desloque-se de imediato a um centro de saúde ou ao hospital. Aí, o médico que consultar a criança removerá todos os coágulos existentes nas narinas e realizará um tampão nasal. Se este tratamento não obtiver êxito, o otorrinolaringologista realizará uma cauterização química da veia que sangra ou o tamponamento posterior das fossas nasais. Para este tratamento, a criança deverá ficar internada. No entanto, não se deve assustar, pois certamente o pediatra irá tentar debelar o problema com o mínimo de intervenção possível.
HEPATITE B
Se o seu filho apresenta sinais de cansaço e falta de apetite, acompanhados de febre, dor abdominal e vómitos, consulte imediatamente o pediatra. Poderá não ser somente uma pequena infecção, mas sim algo mais grave que deverá ser averiguado pelo médico. A hepatite B é uma doença que impede o fígado de funcionar correctamente. Embora existam variados tipos de hepatite, a B é uma das mais comuns.
As causas
A hepatite é provocada por um vírus e a sua transmissão é fácil. Em alguns casos, é a própria mãe, quando dá à luz, que transmite a doença para o seu bebé. Noutros casos, o facto da criança partilhar objectos de higiene com uma pessoa infectada, também são a causa da transmissão.
Os sintomas
Para além do cansaço e a falta de apetite iniciais podem surgir sintomas como: febre; vómitos; enjoos; dores abdominais; icterícia; dores de cabeça; alterações das dejecções (fezes mais claras e urina mais amarelada escura, tipo cor de vinho do Porto). No entanto, muitas vezes a hepatite B é assintomática, ou seja, não apresenta quaisquer sintomas que advirtam para a infecção, sendo que passa sem ser diagnosticada até que a pessoa faça análises de sangue.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da hepatite deve ser feito através de análises clínicas de sangue, após observação dos sintomas que apareçam na criança. O pediatra recomendará o repouso absoluto em casa, uma alimentação e dieta adequadas e a ingestão de muitos líquidos. Caso a infecção, ao ser detectada, já se encontre muito avançada, poderá ser necessário recorrer-se ao internamento. A hepatite B pode ser uma evolução grave, pelo que a sua detecção precoce é essencial para que o tratamento surta efeito. O grande problema da não detecção atempada deste tipo de doença é a possibilidade de se tornar numa doença crónica, e conduzir a uma degradação progressia do fígado.
HEPATITE VIRAL
Se durante as férias, o seu filho de repente começar a sentir falta de apetite, febre, vómitos... Você poderá pensar que ele está com uma constipação. No entanto, se a urina ficar escura (cor de vinho do Porto), vá imediatamente a um serviço de saúde. Os sintomas de uma hepatite viral podem ser, no seu início, semelhantes aos de uma constipação.
Os sintomas: falta de apetite; mal-estar geral; náuseas; vómitos; febre; urina cor de vinho do Porto; icterícia; fezes brancas.
Diagnóstico
O médico diagnosticará a hepatite viral aguda apoiando-se nos sintomas da criança e nos resultados de análises de sangue que requisitará de imediato. O médico verificará ainda através de palpação um ligeiro aumento no fígado.
Tratamento
Em geral as crianças com hepatite viral não costumam necessitar de hospitalização. O médico recomendará uma dieta e descanso (a criança deverá ficar acamada). Após começar a ter apetite (cerca de uma semana) já não precisa de continuar de cama. Muito provavelmente o médico impedirá a criança da prática de qualquer tipo de exercício: correr, jogar à bola, andar de triciclo... O médico acompanhará a criança com exames periódicos até que os resultados dos exames da função hepática sejam completamente normais. A hepatite viral é uma inflamação do fígado causada pela infecção de um vírus da hepatite, na maioria dos casos do tipo A. Se diagnosticada precocemente costuma durar de 4 a 8 semanas e na maior parte dos casos o único tratamento consiste em dieta e repouso. Os outros tipos de hepatite podem condicionar mais problemas.
HERPES
Uma consulta ao pediatra poderá esclarecer rapidamente o problema. O herpes simples, provocado por um vírus diferente do Herpes Zoster, começa com um avermelhar da pele. Em seguida formam-se pequeninas vesículas distribuídas em forma de cacho. Estas vesículas fazem comichão e quando a criança se coça e as rompe, solta um líquido claro. Posteriormente as vesículas cobrem-se de crostas. Esta lesão geralmente desaparece numa semana, salvo que as vesículas se tenham infectado. O herpes não deixa cicatriz.
Muito embora a criança pareça ficar curada quando desaparece a lesão, o vírus não desaparece e oculta-se nos neurónios sensitivos, podendo activar-se e provocar novas lesões no futuro se: a criança tiver febre; apanhar excesso de sol; estiver demasiado nervosa.
A transmissão
Este vírus transmite-se através da saliva ou tosse de uma pessoa contaminada ou por contacto directo da lesão, se houver uma ferida na pele que permita a entrada do vírus. Sendo uma doença muito contagiosa, na fase aguda deve ter-se muito cuidado com a sua manipulação. O herpes não pode ser eliminado e a única solução consiste em tratar as lesões com uma pomada antivírica como por exemplo Aciclovir. Para evitar que as vesículas infectem deverá lavar frequentemente as mãos da criança evitando que toque nas feridas.
Para não esquecer
Na hora de ir ao médico deverá recordar:
- Como é que o seu filho foi infectado?
- A primeira infecção não origina um herpes, mas sim a inflamação da língua, das gengivas e das mucosas da boca. Quando é que o seu filho a teve?
HIDROCELO
Se quando está a limpar o rabinho do seu bebé nota que os testículos do seu filho, especialmente um deles, parece maior, provavelmente o seu filho tem hidrocelo e este transtorno deve ser observado pelo pediatra. Hidrocelo é a acumulação de líquido no interior do saco escrotal (bolsas que envolvem os testículos). Um transtorno frequente entre os meninos de tenra idade e que embora possa preocupá-la, é um problema benigno, que raramente provoca dor ao bebé e que na maioria dos casos desaparece com o passar do tempo.
Os sintomas
Os principais sintomas, como já referimos acima, são o inchaço e o aspecto firme do escroto.
Diagnóstico
O pediatra fará o diagnóstico facilmente, bastando a simples observação. No entanto, o hidrocelo poderá estar também relacionado com a hérnia inguinal, pelo que se o pediatra desconfiar desta causa, poderá solicitar alguns exames complementares.
O tratamento
O hidrocelo não necessita de um tratamento específico, já que desaparece espontaneamente ao longo do primeiro ano de vida do bebé. No entanto, caso o hidrocelo não desapareça durante esse período de tempo, o pediatra poderá aconselhar a sua observação por um cirurgião pediatra, pois existe a possibilidade de uma intervenção cirúrgica para corrigir esa anomalia. Se durante as primeiras observações o pediatra desconfiar da existência de uma hérnia inguinal e os resultados dos exames complementares confirmarem a suspeita, deverá recorrer ao cirurgião pediatra que fará o acompanhamento considerado adequado à situação, sendo a intervenção cirúrgica o indispensável.
INFECÇÃO PELO VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO
Se o seu filho tem o nariz congestionado e a garganta irritada, apresenta sinais de dificuldade respiratória e tosse, consulte o pediatra, pois ele poderá estar com uma infecção causada pelo Vírus Sincicial respiratório. É uma infecção que predomina nos meses de Outubro a Fevereiro.
Diagnóstico
Normalmente o pediatra baseia-nos nos sintomas para fazer o diagnóstico da infecção. No entanto, poderá solicitar algumas análises de laboratório para identificar o vírus ou os seus anticorpos.
Tratamento
O tratamento é como nas infecções virais, sintomático. Nos casos mais graves, pode ser necessário o uso de medicamentos antivirais e por vezes ventilação assistida. As crianças mais pequenas e as que têm uma infecção grave podem necessitar de tratamento intensivo e internamento no hospital para manter uma respiração adequada.
INFECÇÃO URINÁRIA
Se o seu filho apresenta sintomas de estar com uma infecção urinária, não hesite, consulte o seu pediatra. No entanto, nesta idade é difícil diagnosticar clinicamente esta infecção, por isso é muito importante a sua suspeita, se não se encontrar outras causas objectivas para a clínica apresentada pelo bebé. Muito embora não seja muito comum nestas idades, existem algumas causas que podem influenciar o seu aparecimento. Entre elas destacamos:
Uma higiene deficiente - uma higiene incorrecta pode permitir que as bactérias contidas nas deposições (no cocó) possam transitar para o aparelho urinário. Sendo que este tipo de contaminação ocorre especialmente nas meninas.
No caso dos meninos é geralmente detectada em casos de fimose. Os meninos que têm fimose são mais propensos a contrair uma infecção na uretra.
Como se manifesta: febre, vómitos, perda de peso, diarreia, irritabilidade, cheiro fore na urina, urina turva, urina avermelhada.
O que fará o pediatra
Dado que uma infecção urinária não pode ser detectada sem provas complementares, o médico após observação da criança e recolha dos dados que a mãe fornecer - gráfico de temperatura e sintomas observados - irá mandar realizar provas complementares (análises à urina e, sempre que achar conveniente, uma ecografia renal e vesical).
Conselhos
Para evitar uma infecção urinária deve extremar a higiene do bebé. Assim:
- Deverá estar atenta e evitar que o seu filho não permaneça com uma fralda com cocó mais do que alguns minutos.
- As meninas devem ser limpas dos genitais para o ânus de modo a que as fezes não entrem em contacto com o aparelho urinário.
INTOXICAÇÃO
Se o seu bebé, que ainda apenas se desloca a gatinhar, encontrou algo durante a sua exploração pela casa que comeu ou bebeu, sem você ver, e ficou mal disposto e com vómitos, tente verificar o que poderá ter ingerido. Algum medicamento, detergente, produto de limpeza, uma planta... tudo é possível. Se não conseguiu identificar o produto que ingeriu, ligue de imediato para a Linha Anti-Venenos (808 250 143) e enquanto descreve os sintomas e aguarda instruções, recolha o vómito do seu filho para que possa ser analisado.
Sintomas
Depois de ligar para o centro de informações sobre intoxicações, descreva os sintomas. Muito embora os sintomas de intoxicação que a criança apresenta dependam do tóxico e da quantidade ingerida, os sintomas podem ser ligeiros, como comichões ou mais graves - dificuldades respiratórias e uma forte agitação, vómitos. Se conseguiu identificar o tóxico, a Linha de Anti-Venenos será mais rápida a recomendar o tratamento de emergência.
Diagnóstico e tratamento
É importante a ida ao serviço de urgência para ser observado independente do grau de gravidade, para avaliar a necessidade de se efectuar qualquer tratamento de urgência. Se não conseguiu identificar o tóxico que o seu filho ingeriu, o médico tentará identificá-lo por meio de testes de laboratório. Poderá mandar efectuar uma análise ao sangue e à urina. Se o estado de saúde da criança apresentar sintomas de gravidade o médico poderá extrair o conteúdo do estômago aspirando-o através de uma sonda. Poderá ainda requerer uma lavagem gástrica a fim de evitar que o tóxico seja absorvido pelo tracto gastrointestinal. Para acelerar o processo de desintoxicação o médico administrará soro por via endovenosa para manter a criança bem hidratada e manter a produção de urina, que eliminará assim os produtos tóxicos. Dependendo da gravidade da intoxicação o médico pode requerer internamento durante 48 horas, a fim de monitorizar a criança e impedir qualquer paragem respiratória.
INVAGINAÇÃO INTESTINAL
Se o seu bebé começa a chorar desesperadamente e por mais que o acalme ele aumenta as crises de choro, enquanto encolhe e estica as pernitas, tem vómitos, vá de imediato com ele ao pediatra.
Sintomas
- Vómitos (às vezes com a cor da matéria fecal ou sanguinolenta)
- Fezes com cor de geleia, ou sangue
- Distensão abdominal.
Diagnóstico
O pediatra realizará a palpação abdominal e um exame físico completo a fim de detectar se o pequenito sofre de invaginação intestinal. Completará o diagnóstico com uma ecografia abdominal que tem imagens características e diagnósticas. A invaginação intestinal caracteriza-se por uma dobra do intestino sobre si próprio, provocando consequentemente uma obstrução total ou parcial da matéria fecal. Esta situação é mais frequente nas crianças menores de um ano.
O tratamento
Na maioria dos casos, o contraste utilizado para realizar a radiografia, ao pressionar o intestino, resolve a situação. Nos restantes casos será necessária uma intervenção cirúrgica. Nestes casos o bebé permanecerá internado até total regularização do trânsito intestinal.
Conselhos
Esteja atenta aos sintomas que o seu filho apresenta em caso de doença. Um tratamento precoce, no caso de invaginação intestinal, evita na maioria dos casos uma intervenção cirúrgica.
LARINGITE
Se o seu filho de um momento para o outro apresenta um choro rouco ou inaudível, ou se se apresenta totalmente afónico, poderá estar a fazer uma infecção das cordas vocais e da zona que as envolve. A esta infecção dá-se o nome de laringite. Esta infecção é habitualmente provocada por um vírus e afecta a zona da laringe, provocando tosse, dores e irritação. O seu filho poderá perder a voz gradualmente (daí a rouquidão), e ficar afónico por um período de tempo não muito longo. Se verificar algum destes sintomas, consulte o pediatra do seu filho, para que faça o diagnóstico e prescreva o melhor tratamento.
O diagnóstico
Na maioria das vezes o diagnóstico é fácil de efectuar. Ao pediatra do seu bebé poderia bastar escutar as características da voz do seu bebé para poder fazer um diagnóstico. Quando o quadro clínico é mais arrastado, ou as laringites agudas acontecem com muita frequência, a criança deve ser observada por um otorrinolaringologista para a visualização directa das cordas vocais.
O tratamento
Consoante a causa provável da infecção (bactéria ou vírus) o pediatra poderá optar pelo tratamento mais adequado. No entanto, na maioria dos casos, o tratamento é sintomático, com anti-inflamatório e humidificação. No caso das crianças mais pequenas provavelmente a recomendação do repouso vocal será desnecessária, já que os bebés ainda não percebem o que lhes dói e, ao sentirem a dor, irão chorar. Consequência: a dor aumenta.
LÍNGUA PRESA (Anquiloglossia)
Algumas dificuldades na hora da toma (a mamar ou a beber do biberão), e posteriormente quando começa a balbuciar, podem antever o problema. A língua presa resulta de existir um freio lingual curto. Este freio (a pequena membrana situada debaixo da língua) poderá estar mais próximo da ponta da língua, dificultando assim o movimento de protusão (essencial para o bebé mamar) e mais tarde para articular as palavras. Se suspeita que o seu filho sofre de dificuldades deste tipo, não espere pela consulta de rotina e vá ao pediatra com ele.
O diagnóstico
Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito pelo pediatra. Quando este problema é detectado, o médico avalia o problema e decide se deve ou não operar. Na maior parte dos casos, o médico não opera de imediato, ja que com o tempo, a membrana aumenta de tamanho e o problema pode resolver-se naturalmente.
O tratamento
Se esta deficiência não se resolve por si só, o médico que acompanha o seu bebé pode optar pela intervenção cirúrgica, que consiste em fazer um pequeno corte na membrana, "soltando" a língua. No entanto, não se preocupe, pois esta intervenção é rápida e o bebé regressa no mesmo dia a casa, não necessitando de internamento.
A intervenção cirúrgica é feita com anestesia local e o bebé permanece acordado, não sentindo quaisquer dores no momento do corte.
O pós-operatório
O grande problema desta intervenção surge depois do bebé ir para casa. Como está anestesiado, deverá permanecer em jejum por mais algumas horas.
Depois da anestesia passar: evite dar ao bebé alimentos quentes; após a refeição, passe pela boca do bebé uma gaze esterilizada e embebida numa solução oral diluída em água.
Durante o período de cicatrização, não deixe a criança colocar os dedos (ou outros objectos, como a chupeta) na boca. Após a cicatrização (ao fim de 2 a 3 dias), o seu bebé já poderá comer normalmente e utilizar a chupeta ou os dedos para chuchar.
MENINGITE
Se o seu filho esteve em contacto com outra criança a quem foi diagnosticada meningite, vá imediatamente ao seu pediatra, para ele lhe poder aconselhar, se achar necessário alguma profilaxia da doença, ou para lhe esclarecer os sinais de alarme da doença. O contágio pode efectuar-se a partir de uma criança a quem foi diagnoticada a doença ou de uma pessoa saudável que, embora não apresente os sintomas, seja portadora do microorganismo responsável pela doença.
Atenção aos sintomas
Perante a possibilidade de ter havido contacto com crianças afectadas, e se a meningite for de origem bacteriana, o médico poderá prescrever um antibiótico para prevenir o possível contágio, de acordo com o agente etiológico implicado. O primeiro quadro de uma meningite pode apresentar-se como um resfriado grave, no entanto, outros sintomas poderão levá-la a suspeitar de uma meningite. Muito embora os sintomas possam não aparecer todos em simultâneo esteja atenta. Se a doença tiver evoluído, podem aparecer pequenas manchas na pele de cor vermelho arroxeado disseminadas por todo o corpo. Se verificar qualquer destes sintomas no seu filho, dirija-se às urgências o mais depressa possível. Após o contacto com uma pessoa doente, pode fazer-se profilaxia da doença com antibióticos. A prevenção da meningite bacteriana deve fazer-se através de vacinação.
Os sintomas: febre elevada que cede mal aos antipiréticos; dores de cabeça; mal-estra geral; prostração; vómitos; rigidez da nuca (não consegue tocar no peito com o queixo).
Não se alarme
Calcula-se que só 50% das meningites são de origem bacteriana, e como tal mais graves, havendo já vacinas que protegem a criança da doença. Assim, a vacina anti-Hemophylus B, já existe no plano nacional de vacinação, bem como outras vacinas opcionais como a anti-pneumocócica e a anti-meningococo tipo C. Deve falar com o se pediatra sobre a sua utilidade e os timings aconselhados pra a sua administração.
MONONUCLEOSE (a doença do beijo)
Embora seja uma doença que afecta geralmente adolescentes e jovens adultos, também pode afectar as crianças mais pequenas. A Mononucleose Infecciosa, conhecida vulgarmente como "a doença do beijo", é provocada pelo vírus Epstein-Barr e transmite-se através das gotículas de saliva libertadas pela pessoa infectada. Esta infecção atinge, de início, a laringe e as amígdalas, e posteriormente pode, através da corrente sanguínea, chegar ao baço e ao fígado. Como a doença pode demorar até seis semanas a revelar os seus primeiros sintomas, talvez você não se aperceba que o seu filho está doente. Muito especialmente nesta idade, em que a doença é muitas vezes assintomática. Se o seu filho apresentar alguns destes sintomas, leve-o imediatamente ao médico.
Sintomas: febre; gânglios linfáticos do pescoço inchados; dores de cabeça; náuseas; dor abdominal; garganta inflamada; cansaço extremo; falta de apetite; baço e fígado aumentados; dores musculares.
Diagnóstico
Para diagnosticar a doença, o médico mandará efectuar a recolha e análise de sangue. Nesta análise o médico procurará anticorpos específicos.
Tratamento
A Mononucleose não pode ser combatida com nenhum medicamento específico, pelo que o médico recomendará manter um controlo extremo durante a fase mais aguda da doença. A maioria dos sintomas desaparece naturalmente após três semanas, sendo no entanto conveniente manter a observação por um período maior. O tratamento consiste essencialmente em repouso e administração de analgésicos e antipiréticos. Existem algumas complicações da doença, como hepatite, obstrução mecânica das vias respiratórias superiores, etc., que exigem uma vigilância mais apertada por parte do médico. Em caso de dúvida durante o tratamento, consulte sempre o médico que tratou o seu filho e mantenha-o a par de toda a evolução do caso.
MORDIDA DE ANIMAIS
As crianças e os animais têm uma relação muito especial de amizade. No entanto, em várias épocas do ano, particularmente no Verão, ainda é habitual as pessoas que têm animais domésticos os abandonarem. Este gesto aumenta em muito o perigo das crianças serem mordidas já que não conseguem distinguir entre um animal saudável e bem tratado, e um animal abandonado que poderá ter raiva, embora actualmente não estejam descritos casos de raiva.
Como se infecta
A raiva é uma doença grave, que geralmente conduz à morte, caso não seja tratada de imediato. O vírus da raiva é transmitido através da saliva libertada pelo animal quando da mordida e espalha-se rapidamente pelo corpo da vítima, afectando o sistema nervoso central e posteriormente ao cérebro.
Os sintomas
Os sintomas de raiva são, nos primeiros dias, muito leves: febre baixa; dor de cabeça; falta de apetite; dores e picadas na zona da mordida.
No entanto, se não é logo tratada, pode conduzir a sintomas mais severos que podem ir de ataques epilépticos à rigidez no pescoço, ansiedade, desorientação e agitação.
Como se trata
As feridas provocadas por mordedura de animal não devem ser suturadas. Se foram muito extensas será necessário efectuar cirurgia adequada. Não esqueça que sendo uma ferida infectada deverá efectuar-se antibiótico, e desinfecção local. Não existe uma vacina eficaz contra o vírus da raiva, pelo que a melhor forma de reduzir os riscos de haver infecção é lavar a ferida com sabão ou com água oxigenada. Como complemento ao tratamento é administrado um soro anti-vírus (que estimula o sistema imunitário a combater o vírus). Para não correr riscos desnecessários, ensine o seu filho a não mexer em animais abandonados que desconheça ou que não demonstrem à vontade com pessoas.
OBSTIPAÇÃO
O seu filho está com dificuldades para fazer cocó há vários dias e chora porque as fezes são muito duras. Já tentou todos os conselhos e mezinhas caseiras e a situação não melhora. Não espere mais e vá ao pediatra com o seu filho. Muito embora esta situação possa ser comum nesta idade em que a criança está a fazer a introdução de novos alimentos na sua dieta, pode tornar-se grave se não for atempadamente resolvida.
Como tratar
Embora em alguns casos os médicos recomendem e prescrevam a utilização de laxantes infantis, na maior parte dos casos a obstipação passa com uma simples mudança da dieta alimentar da criança. O médico poderá aconselhá-la a realizar algumas massagens na barriguinha do bebé para aliviar os gases que se vão acumulando ou realizar a seguinte técnica:
1. Deite o bebé de costas
2. Suavemente, empurre as perninhas do bebé para cima pressionando a sua barriguinha.
Realize este exercício várias vezes para aliviar o bebé e para que ele solte possíveis gases que lhe estejam a provocar dores abdominais.
Identifique os sintomas
Sempre que o seu filho chorar ao fazer cocó, verifique se:
- Tem alguma ferida no recto, causada pelo excesso de força que a criança tem de fazer
- Se demonstra sentir apenas dor no momento de fazer cocó
Informe o pediatra sobre:
- A história familiar
- A altura em que a criança começou a ter dificuldades
- A dieta dos últimos dias
- A medicação que está a tomar
- Os produtos lácteos que come, como iogurtes, leite, queijo
- Alguns problemas familiares que levem a criança a procurar mostrar a sua revolta e a chamar à atenção desta maneira
- Crise ou dermatite da fralda.
ONFALITE (umbigo infectado)
Muito embora tenha seguido todos os cuidados que lhe recomendaram na higiene do cordão umbilical, se ao retirar a fralda do seu bebé verificar que a região do umbigo aparece vermelha e inchada e a protecção umbilical manchada de pus, não espere, vá de imediato ao pediatra com o seu bebé. Além destes sintomas, poderá ainda verificar que o coto umbilical tem mau odor.
Diagnóstico
O pediatra avaliará a infamação do umbigo do bebé, através dos sinais característicos de infecção. Verificará a cor, o odor, o tipo de supuração e ainda se não existirá carne esponjosa no fundo da cicatriz. A onfalite é uma situação clínica que exige diagnóstico e terapêutica precoce e adequada. A infecção pode ter muitas causas, de entre elas a possibilidade de um descuido na higiene do umbigo e na sua desinfecção. Fralda suja demasiado tempo, não ter desinfectado o coto pelo menos duas vezes por dia, fralda demasiado apertada sobre coto sem protecção... O tratamento exige terapêutica anibiótica a maioria das vezes por via endovenosa e como tal sob internamento.
Conselhos
O coto umbilical cai espontaneamente entre o 5º e o 14º dia de vida. No entanto, alguns bebés apresentam um umbigo grosso e gelatinoso o que geralmente faz retardar a queda do coto umbilical. Mesmo assim, a queda produz-se até cerca de 25 dias após o seu nascimento. Até lá, a mãe deve ter cuidados especiais. Há sempre o risco de infecção, especialmente se o umbigo permanecer molhado e sujo durante muito tempo. Deixe o maior tempo possível o coto em contacto com o ar. Para limpar o coto, deve utilizar uma gaze limpa e humedecida com o produto recomendado pelo pediatra, normalmente álcool a 70º. A higiene deve ser realizada delicadamente abrangendo o coto e a região circundante. Depois de queda do coto, a mãe deverá limpar e secar diariamente a zona umbilical até que a cicatrização esteja concluída.
OTITE DA PISCINA
Se depois de um dia passado numa piscina o seu filho se queixa de dores no ouvido e existe algum pus que lhe ai pelo canal auditivo, pode estar com uma otite externa, também conhecida como otite da piscina. Geralmente este tipo de otite deve-se à acção de bactérias e fungos que pululam nas piscinas e irritam o canal auditivo externo, inflamando-o e provocando dores. Mesmo que esteja de férias, não hesite e vá com o seu filho ao médico.
Como se diagnostica
O médico ou o otorrinolaringologista, com um aparelho chamado otoscópio, observa o canal auditivo externo para detectar a infecção. Além da dor, a criança poderá ainda sentir comichão.
O tratamento
O tratamento das otites externas consiste na limpeza do ouvido infectado e na prescrição de um antibiótico ou um anti-fúngico (consoante o tipo de infecção), que deverá administrar ao seu filho sempre segundo as indicações do médico. Por fim, irá apresentar-lhe algumas medidas de prevenção e aconselhá-la-á sobre os cuidados a ter sempre que o seu filho tome banho em piscinas:
- Utilizar protectores para os ouvidos
- Não tomar banhos de imersão durante os dias de tratamento
Não tente medicar o seu filho
Mesmo que o seu filho já tenha tido uma otite, não simplifique. Não utilize os medicamentos receitados anteriormente, pois para cada tipo de otite, existe uma medicação específica e só o médico saberá qual a mais adequada.
OTITE MÉDIA AGUDA
É durante os meses mais frios que as infecções bacterianas ou virais afectam os mais pequenitos. Se o seu bebé se queixar de dores no ouvido (geralmente coloca a mãozinha na orelha e chora), verifique se tem outros sintomas, como:
- Diarreia
- Febre alta (40º/40,5º)
- Secrecção do ouvido que pode conter sangue ou pus
- Irritabilidade.
Se verificou algum destes sintomas, o seu filho pode estar a desenvolver uma otite média aguda, vá com o seu filho a uma consulta médica.
Diagnóstico
O pediatra examinará o ouvido para verificar a extensão da infecção. Se a criança tem o ouvido a purgar (corrimento com pus), enviará uma amostra para o laboratório, para identificar o agente que provocou a infecção, visto a otite média aguda ser uma infecção que se desenvolve no ouvido médio, provocada por um vírus ou uma bactéria.
Tratamento
O médico prescreverá um antibiótico administrado por via oral. Para a febre, a criança tomará o antipirético habitual. Aconselhará ainda cuidado com o banho da criança, de modo a que não lhe entre água para o ouvido. Deve ser avaliada no fim do tratamento de modo a confirmar a cura.
PAPEIRA
A papeira ou parotidite é uma doença provocada por um vírus, o Paramixovírus, que tende a ocorrer na Primavera e no Inverno. É uma doença de origem viral geralmente contraída através de contágio. Muito embora a ua prevenção seja feita através da vacinação VASPR (vacina conjunta contra o sarampo, a rubéola e a papeira) e pertença ao nosso calendário nacional de vacinas, ainda há hoje crianças que a contraem de forma sazonal.O período de incubação pode considerar-se longo (16 a 18 dias anes de surgirem os primeiros sintomas). Muito embora seja uma doença em que o pediatra aconselha o afastamento da escola, é geralmente no infantário ou na escola que a criança é contagiada. O período de contágio vai de 2 a 3 dias antes do seu aparecimento até cerca de 10 dias após ter desaparecido o inchaço.
Sintomas:
- Pescoço inchado
- Dores no ouvido
- Vómitos repetidos
- Garganta inflamada
- Febre há mais de 3 dias
- Dores no abdómen
Diagnóstico
Facilmente diagnosticada pelo pediatra, após o tratamento, geralmente ibuprofeno, a febre cessa ao fim de 4 ou 5 dias. Nos casos em que a criança tem dificuldades em engolir, geralmente o pediatra recomenda uma dieta que tenda a diminuir as dores.
Dieta
- Evitar frutas cítricas (laranja, limão) ou alimentos ácidos. Estes alimentos aumentam a produção de saliva e consequentemente o inchaço das glândulas parótidas.
- Evitar alimentos muito consistentes que necessitem muita mastigação.
- Uma dieta líquida sempre que se verifique que a criança tem muita dificuldade em mastigar.
PARALISIA DE BELL
Se de repente olhar para o seu bebé e verificar que um lado do seu rosto parece imóvel, repare bem se desse lado o bebé não tem também o canto da boca descaído. Se assim for, não se assuste. Marque uma consulta com o pediatra.
Diagnóstico
O médico detectará a paralisia pelos sinais evidentes. Este transtorno pode aparecer em qualquer idade, desde bebés a adolescentes e deve-se à paralisia do nervo facial. Geralmente surge duas semanas após uma infecção viral. Assim, o médico indagará as alterações que a criança teve nas últimas semanas. Este tipo de paralisia caracteriza-se por abranger apenas um lado do rosto e porque desse lado o olho não se fecha voluntariamente. Pode ainda haver perda de paladar na parte anterior da língua. É importante verificar se não tem otite ou patologia dentária que possa ter desencadeado o quadro clínico.
Tratamento
Geralmente este transtorno cura-se espontaneamente. No entanto o pediatra poderá recomendar a aplicação de gotas oftalmológicas ou gotas de soro fisiológico. O médico aconselhará ainda, oferecer à criança objectos para morder para estimular o maxilar, e em alguns casos fazer mesmo fisioterapia. Se a criança não recuperar a cem por cento nas semanas seguintes, o médico poderá requerer uma electromiografia para avaliação ou TAC.
PEDICULOSE (piolhos)
Com a reentrada no infantário é natural que de repente o seu filho apareça com muita comichão na cabeça, especialmente na nuca e atrás das orelhas. Repare bem se tem no cabelo pequenos pontos brancos (lêndeas) semelhantes a caspa. Se assim for, leve-o ao pediatra.
Os piolhos, além da comichão que provocam, podem transmitir algumas doenças, como por exemplo, o tifo.
O diagnóstico
O médico reconhecerá de imediato a situação e recomendará a aplicação tópica de um medicamento apropriado. Recomendará ainda, que após a sua aplicação (e segundo as instruções de aplicação e utilização) lave bem a cabeça da criança e a penteie com pente fino (pente de piolhos) a fim de retirar todas as lêndeas. Se a criança estiver muito infectada, poderá ser necessário mais do que uma aplicação. Como o contágio é muito fácil, verifique que a restante família não tenha sido também contagiada. Se a criança já tiver contraído a infecção há uns dias e você não se apercebeu disso, a criança poderá ter eczema provocado pelos piolhos. Assim, o médico poderá ainda prescrever um medicamento para aplicação tópica.
Conselhos
- Verifique a cabeça do seu filho com regularidade e se suspeita que ele contraiu piolhos, tome de imediato os cuidados necessários para não deixar que se desenvolvam.
- Não aplique qualquer produto que o médico não tenha prescrito, não se esqueça que estes produtos podem ser tóxicos ou provocar-lhe alergias.
PICADA DO PEIXE-ARANHA
Quando o Verão se aproxima e as idas à praia começam a ser uma rotina, é normal que alguma vez o seu filho seja picado por um peixe-aranha. Este pequeno peixe, quando se sente ameaçado, utiliza um espinho venenoso para repelir o "inimigo". O problema é que muitas vezes, é o banhista desprevenido que sofre esta picada. Ao picar, o peixe liberta um venenoque provoca uma dor muito intensa.
Diagnóstico
A primeira coisa a fazer, é descobrir se o seu filho foi realmente picado por um peixe-aranha. Caso o tenha sido, desloque-se ao nadador-salvador da praia que frequenta para que este lhe preste os primeiros socorros. Caso a praia não tenha nadador-salvador ou Posto de Socorros, deverá deslocar-se ao Centro de Saúde mais próximo para que o médico de serviço prescreva o melhor tratamento para a situação.
Primeiros socorros
O veneno que estes peixes libertam é termolábil (decompõe-se com o calor) pelo que deverá optar por uma destas soluções:
- Mergulhar o pé que foi picado em água quente à temperatura máxima suportável pelo seu filho
- Aproximar a ponta de um cigarro aceso, à zona da picada para decompor o veneno.
Em todo o caso, deve levar sempre o seu filho ao Centro de Saúde mais próximo. Provavelmente o médico de serviço prescreverá um analgésico ou injecções locais que atenuarão a dor.
Não esqueça:
Para prevenir situações futuras, calce ao seu filho umas sapatilhas próprias para andar na água e assim evitará não só a picada deste peixe como também que pise acidentalmente uma medusa (alforreca).
PICADAS
É natural que o seu filho goste de brincar no campo e com a chegada da Primavera, o eclodir dos pequenos animais surge com o povoar dos campos pelas plantas. Assim é natural que de repente o seu filho venha a correr para ao pé de si a gritar porque um bicho lhe mordeu. Se você sabe o bicho que lhe picou, pode tomar algumas medidas, caso contrário vá às urgências para evitar qualquer reacção alérgica.
O que fazer
Conheça as medidas que deve tomar quando o seu filho for picado por algum destes bichos:
- Aranha - Lave o local bem lavado com água oxigenada. Coloque um anti-séptico e se passadas 3 a 4 horas, o local se mostrar inchado leve o seu filho às urgências.
- Abelha ou vespa - Extraia imediatamente o ferrão com uma pinça bem desinfectada (pode queimar-lhe as pontas). Aplique gelo para acalmar a dor e aplique um anti-histamínico local.
- Mosquito - Passe o local com uma pedra de gelo ou lave com água fervida com umas gotas de vinagre, ou aplique uma pomada de óxido de zinco.
- Medusa - Se colocou o pé em cima de uma medusa, lave bem com água do mar e dirija-se às urgências.
- Escorpião - Vá às urgências imediatamente.
PNEUMONIA
Se o seu filho se encontra com temperatura elevada, apresenta dificuldades respiratórias e recusa o alimento, não hesite, dirija-se ao pediatra ou a um serviço de saúde. Por altura do Outono/Inverno são comuns as infecções respiratórias e os mais pequenos são os mais afectados. Se uma dificuldade respiratória num bebé é preocupante, quando o bebé sofre uma pneumonia é muito grave dado que nesta idade a criança tem poucas defesas.
O diagnóstico
O médico elaborará o diagnóstico a partir do relato dos sintomas observados pelos pais e da auscultação. Perante a suspeita de uma pneumonia, o pediatra confirmará o diagnóstico através de uma radiografia ao tórax.
Sintomas
- Febre persistente
- Tosse com expectoração
- Recusa ao alimento
- Respiração difícil
Estes sintomas podem considerar-se similares aos da bronquiolite, ou outra infecção respiratória mais banal, no entanto será o pediatra que terá de avaliar a situação e comprovar o tipo de infecção que o bebé tem.
O tratamento
Dependendo do grau e do tipo de pneumonia que o bebé contraiu, o pediatra prescreverá os antibióticos e outros medicamentos adequados à situação clínica, bem como indicará aos pais os cuidados a ter durante a recuperação do bebé. Os cuidados indicados pelo pediatra não podem ser descurados, tendo em conta que uma pneumonia, mesmo que só tenha afectado um pulmão do bebé, é sempre considerada uma situação grave.
Em alguns casos, o pediatra poderá requerer o internamento do bebé para efectuar a medicação antibiótica por via endovenosa e para manter uma maior vigilância clínica numa fase inicial de doença.
Conselhos
As infecções respiratórias nos bebés podem agravar-se rapidamente. Assim, se o seu filho tem qualquer dificuldade respiratória, não deixe que se agrave. Vá ao médico.
PROSTRAÇÃO PELO CALOR
Se o seu filho de repente fica prostrado, fraco, pálido, com sintomas de ansiedade e transpiração ecessiva, depois de uma tarde de brincadeira ao ar livre ou de um dia na praia, verifique se a sua pele arrefece e se o seu batimento cardíaco está mais fraco.
Pode ainda desmaiar. Se assim for, vá de imediato com ele a um serviço de saúde, pois o seu filho pode estar desidratado, ou com outra doença mais grave.
Diagnóstico
O pediatra avaliará os sintomas e sinais e questionará a mãe sobre o período a que a criança esteve exposta ao excesso de calor. Assim, e após avaliar clinicamente a criança e o seu estado de prostração, e de acordo com o grau de gravidade da situação, poderá prescrever um tratamento que consista em repor os líquidos e os sais (rehidratados), ou de forma oral ou endovenosa.
A criança deverá permanecer um ambiente fresco e arejado até à sua completa recuperação.
Conselho
Para que as crianças não venham a sofrer de prostração causada pelo calor, deve evitar que a criança brinque ao ar livre durante os períodos de calor, praticando brincadeiras que obriguem a esforço como correr, andar de triciclo, andar de bicicleta...
Deve evitar ainda que permaneça muito agasalhada durante os períodos mais quentes.
QUEIMADURAS
Embora tenha todos os cuidados, o seu filho pode sofrer uma queimadura. Se o seu filho se queimar, leve-o ao pediatra ou ao hospital mais próximo.
Tipos e graus de queimaduras
Existem vários tipos e graus de queimaduras. Em relação ao tipo, podem ser causadas pelo exposição ao fogo, ao Sol, ao frio, por contacto com produtos químicos ou electricidade, ou ainda por fricção.
Quanto aos graus e queimaduras, existem três tipos:
- De primeiro grau: são queimaduras leves, como as causadas pela exposição excessiva ao Sol, que cicatrizam facilmente ao fim de alguns dias.
- De segundo grau: estas queimaduras são mais graves e profundas, podendo criar bolhas ne pele. Sã muito dolorosas e necessitam de algumas semanas para cicatrizar.
- De terceiro grau: são queimaduras muito graves que poderão necessitar de tratamento cirúrgico. A pele adquire uma cor parecida com a do couro e os tecidos internos podem ser muito afectados, podendo não se sentir dor.
Como agir
Se o seu filho sofrer uma queimadura provocada pelo fogo ou pela electricidade (as queimaduras mais habituais entre as crianças) necessita de ser observada por um médico, por isso desloque-se de imediato a um hospital. Se for provocada por um período químico, alivie a dor com jorros de água fria e posteriormente leve-a ao médico.
Os tratamentos
Para tratar uma queimadura, é necessária a observação médica. No caso de queimadura ligeira, poderá fazer a lavagem da zona afectada com água morna e sabão. Alguns especialistas referem que poderá ainda utilizar uma gaze gorda estéril ou uma pomada antibiótica (que deverá ser receitada pelo médico).
Se a queimadura for mais grave, é essencial que um médico a observe. Se o grau for muito grave, poderá ser necessário internamento hospitalar e possivelmente transferência para uma unidade de queimados.
A melhor forma de evitar estes acidentes está na forma como eles são prevenidos. Assim, deverá ter sempre em atenção as regras de segurança em casa e nunca deixar o seu filho sozinho perto de equipamentos tão perigosos.
RAQUITISMO
Se ao dar banho ou ao brincar com o seu bebé, achar que ele tem pouca força nos braços e nas perninhas e se ao mamar o bebé transpirar muito, esteja atenta e marque rapidamente uma consulta com o pediatra. Muito embora seja raro, não é impossível que o seu bebé possa ter raquitismo. Nada melhor que um exame médico para ficar descansada.
Sintomas
- Ossos do crânio depressíveis
- Transpiração excessiva ao mamar
- Dificuldade em dormir
- Atraso no encerramento das fontanelas
- Efeito de tórax em quilha (depressão nas zonas laterais do tórax)
- Nódulos nas extremidades das costelas
- Fraqueza nos membros
Diagnóstico
O pediatra confirmará o diagnóstico por palpação e pela realização de alguns exames ao bebé. O raquitismo é uma doença que tratada precocemente, raramente deixa sequelas. O pediatra explicará que a criança tem carência de vitamina D. Como a vitamina D apenas existe sobre a forma de pró-vitamina na pele e para se transformar em vitamina activa, necessita da luz solar, o pediatra recomendará que a criança apanhe Sol, diariamente, durante alguns minutos.
O médico prescreverá ainda um preparado de vitamina D por via oral. Muito embora para a constituição dos ossos, sejam essenciais o cálcio, o fósforo e a vitamina D, os dois primeiros só são aproveitados pelo organismo se a vitamina D estiver presente. Tendo feito o tratamento recomendado com vitamina D, a criança recuperará o seu ritmo normal de crescimento.
Conselho
A carência de vitamina D provoca uma formação óssea deficiente. Uma criança gorda e bem alimentada pode ter raquitismo, por fala de exposição ao sol. Mesmo durante os meses de Inverno, leve o seu filho a fazer um passeio diário.
RUBÉOLA
É uma infecção viral considerada benigna e autolimitada, pois não causa prejuízo à criança nem deixa sequelas depois de curada. Relativamente longo, o período de incubação dura de 14 a 21 dias, mas, uma vez manifestados os sintomas, a criança ficará bem. Normalmente, um único episódio é suficiente para que fique imunizada para o resto da vida.
Contágio
O principal meio de transmissão são as secreções do nariz e da garganta, eliminadas sob a forma de gotículas. O contágio dá-se dois a três dias antes do aparecimento das erupções ou até quatro dias após a sua manifestação.
Sintomas
- Uma erupção cutânea de cor rosa-avermelhada surge na face e alastra pelo corpo
- Inchaço e dor nos gânglios linfáticos cervicais (localizados atrás do pescoço) e nos retroauriculares (atrás das orelhas)
- Febre baixa
Como se trata
- O seu filho deve permanecer em casa, mas não há necessidade de repouso, desde que se sinta bem
- Para aliviar a febre ou a dor , dê-lhe paracetamol infantil na dose recomendada pelo pediatra.
Riscos
A gravidade desta doença viral verifica-se apenas quando há contacto com mulheres grávidas que não estejam imunes. Se houver contágio, existe a possibilidade de perder o bebé ou dele nascer com anomalias congénitas.
SARAMPO
Ao contrário da rubéola, o sarampo pode provocar complicações graves. Normalmente, aparece por surtos que se tranformam em epidemias, daí a importância da imunização. O seu período de incubação vai de 8 a 14 dias e, em geral, após dez dias de cama, todos os sinais da doença devem ter desaparecido.
Contágio
Ocorre através de gotículas de saliva expelidas pela tosse ou espirros e pode acontecer desde o início dos sintomas até uma semana depois da cura, daí que a criança deva permanecer em casa cerca de uma semana depois de estar boa.
Sintomas
- No início, as queixas resumem-se a febre baixa, tosse seca, pingo no nariz e olhos avermelhados.
- Nesta fase, antes do aparecimento das pintas, surgem manchas dentro da boca, designadas por manchas de Koplik, que permitem, de imediato, o seu diagnóstico.
- A febre tende a subir e o exantema, que inicialmente surge apenas na parte de trás das orelhas e pescoço, estende-se pelo tronco, braços, pescoço e, mais tarde, barriga e pernas, espalhando-se por todo o corpo e desaparecendo as manchas de Koplik.
Como se trata
- Mantenha a criança em repouso absoluto, num ambiente calmo e arejado, mas sem correntes de ar
- Dê-lhe muitos líquidos e mantenha-a fresca
- É aconselhado o uso de paracetamol, para baixar a temperatura.
Riscos
Nas crianças pequenas, a doença pode complicar-se, surgindo infecções secundárias como pneumonia, otite, alterações gastrointestinais ou encefalite.
TRAQUEÍTE
É uma infecção que produz inflamação da traqueia, a parte das vias respiratórias que une a laringe aos brônquios. Esta doença pode aparecer depois de a criança ter sofrido de um catarro de tipo viral que se tenha complicado. É bastante frequente nos bebés, possivelmente devido ao faco da sua traqueia ser muito estreita e poder obstruir-se com mais facilidade quando se inflama. Pode ser bacteriana, que é mais grave, ou viral.
Causas
Quando é originada por um vírus, é mais leve. Se se tratar de uma traqueíte bacteriana, menos habitual nos bebés, os agentes causadores são as bactérias staphylococcusaureus e o haemophilus influenzae.
Sintomas
Produz tosse "de cão", irritação na garganta, afonia, febre alta, se for bacteriana, e febrícula, mal-estar geral e dificuldade para respirar, se for viral.
Um sintoma claro, que o pediatra observará ao examinar a criança, é que os músculos do tórax se afundam quando a criança respira (tiragem intercostal).